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Gestão Esportiva na Prática: para quem estamos formando?

Enquanto clubes recorrem a estrangeiros, debate propõe reduzir limites por jogo, incentivar uso de atletas formados na base e medir impacto econômico e esportivo

Brasil sub-17 comemora gol contra a Venezuela pelo Sul-Americano (Foto: Nelson Terme / CBF)
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  • Clubes das Séries A e B costumam ter entre dez e quatorze estrangeiros nos elencos, o que representa aproximadamente trinta a quase cinquenta por cento do plantel.
  • O Brasil continua exportando jogadores jovens, e dados da FIFA mostram liderança mundial nesse tipo de transferência, abrindo questionamento sobre o ciclo de formação.
  • A mudança de identidade econômica passa por reduzir o tempo de exposição do atleta na base, sob o risco de diminuir a valorização e o retorno financeiro do sistema.
  • Propostas em debate incluem reduzir o limite progressivo de estrangeiros por jogo, criar incentivos para uso de atletas formados na base e medir o impacto disso na venda de jogadores.
  • O objetivo é equilibrar o uso de talento estrangeiro com o desenvolvimento nacional, evitando que o futebol vire apenas mercado consumidor de talentos.

O futebol brasileiro vive uma transformação silenciosa, apesar de avanços estruturais como a liga única, a arbitragem profissionalizada e a melhoria dos gramados. Enquanto isso, a presença de jogadores estrangeiros aumenta nos elencos das Séries A e B.

A observação é de que clubes com 10 a 14 estrangeiros em um plantel de cerca de 30 atletas representam entre 30% e quase 50% da composição. A tendência não é exceção, mas prática consolidada em algumas equipes.

Ao mesmo tempo, o Brasil continua exportando jovens talentos em ritmo acelerado. Dados da FIFA colocam o país na liderança mundial em transferências, com muitos atletas saindo ainda em formação.

Essa dinâmica vai além de mercado. Representa uma mudança de identidade e de lógica econômica. O modelo clássico de formar, valorizar e vender pode ganhar menos retorno se a exposição de jovens da base for reduzida.

Mudança de identidade

A profissionalização da arbitragem, a melhoria dos gramados e a organização comercial são necessárias, mas não bastam sozinhas. O debate central é: quem impulsiona o futebol nacional quando a base perde protagonismo?

O uso do mercado internacional, se feito com critério, pode favorecer o crescimento. Já o atalho, sem planejamento, eleva custo e risco, sem garantir sustentabilidade financeira.

Não é desejável transformar o Brasil em mero mercado consumidor de talentos. A verdadeira modernização passa por preservar o que não pode ser perdido no processo, exigindo decisões claras.

Novas estratégias

Uma opção é reduzir progressivamente o limite de estrangeiros por partida, como mecanismo de equilíbrio do ativo nacional, e não como barreira ao mercado.

Outra direção é criar incentivos para utilizar atletas formados na base, por meio de critérios financeiros, regulatórios ou de distribuição de receitas ligadas à liga futura. Quem desenvolve, ganha.

Por fim, medir com profundidade o desempenho da base é essencial. Quais são os minutos dados aos formed players? Qual o impacto disso no valor de venda? Como estrangeiros contratados se relacionam ao retorno esportivo?

Sem esse controle, o sistema opera no escuro e a inovação pode perder valor estratégico. A gestão exige dados para sustentar decisões.

Continuidade da análise

O tema também é apresentado em outras publicações da série Gestão Esportiva na Prática, com foco em discutir caminhos práticos para a evolução do futebol brasileiro.

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