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Buffon diz que há percepção de invencibilidade, quase onipotência

Buffon analisa a aposentadoria, o declínio do futebol italiano e a responsabilidade pela crise que levou a Itália a falhar em três Copas consecutivas

Gianluigi Buffon photographed at the Guardian’s office in London last week.
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  • Gianluigi Buffon, ícone do futebol italiano, relembra a despedida aos 45 anos em maio de 2023 e fala sobre as mudanças após quase trinta anos na elite.
  • Em seu livro Saved, ele descreve a sensação de invencibilidade durante a Copa do Mundo de 2006, quando a Itália venceu nos pênaltis após Zidane ser expulso.
  • Buffon também aborda o escândalo Calciopoli, a queda da Juventus para a Série B e como isso afetou a moral da equipe que disputou o Mundial de 2006.
  • O ex-guardião admite ter lidado com depressão e ataques de pânico, mas afirma que dividir vulnerabilidades foi um caminho para a força e o equilíbrio.
  • Hoje, Buffon comenta a queda recente do futebol italiano e atribui a calmaria da vida pós-carreira ao novo papel como andarilho do basquetebol, destacando a importância da família e de manter-se conectado ao futebol.

Gianluigi Buffon concedeu uma entrevista à imprensa britânica em que analisa a aposentadoria, o declínio do futebol italiano e o episódio envolvendo Zidane na final de 2006, destacando impactos pessoais e profissionais ao longo de quase três décadas no esporte.

O goleiro italiano, 48 anos, encerrou a carreira em 2023 após atuar pelo Parma na fase final da Série B. Ele descreve a transição como um momento de choque, ainda que tenha decidido pelo fim por acreditar que o momento era adequado para mudar de vida.

Buffon revisita sua trajetória com enfoque nas marcas de permanência: recorda ser o jogador com mais jogos pela Itália e ter defesaçoes históricas, além de ter conquistado dez Scudettos com a Juventus. O atleta também relembra a temporada de 2015-16, quando ficou 974 minutos sem sofrer gols, período considerado por ele excepcional.

O ápice e a percepção de invencibilidade

O ex-arquero aponta o auge de sua performance em 2002-03, quando vivenciou um momento de grande clareza mental e sensação de invencibilidade. Ele compara esse estado ao desempenho do 2006, durante a Copa do Mundo, enfatizando a importância da confiança e do momento certo para o florescimento técnico.

Na Copa de 2006, Buffon foi testemunha de Zidane marcando um pênalti e, pouco depois, salvou o cabeceio do adversário em uma jogada decisiva. O goleiro italiano descreve a sequência como um marco complexo, com o episódio alimentando controvérsias que se estenderam além da partida.

O caso Calciopoli e consequências

O atleta recorda que a Itália ficou sob forte pressão na época de Calciopoli, o que afetou a imagem da seleção e do futebol nacional. Buffon foi alvo de investigações, mas acabou sendo inocentado de acusações ligadas a apostas.

O goleiro reforça que, mesmo diante da adversidade, a equipe manteve o foco no Mundial, chegando ao título com uma vitória nos pênaltis. Ele aponta que a situação externa não representou a verdade dentro de campo, destacando a justiça de sua equipe.

Desafios recentes e o futuro no futebol

No momento, Buffon atua como parte da delegação da seleção italiana e observa o desempenho recente da equipe, incluindo a participação em jogos de qualificação para a Copa do Mundo de 2026. Ele reconhece que a derrota de 2026 diante de Bosnia e Herzegovina e a frustrante eliminação em outras campanhas recentes pesaram para o futebol italiano.

Entre as causas apontadas para o declínio do futebol italiano, ele cita a globalização, a evolução tática dos adversários e a ausência de talentos criativos equivalentes aos grandes nomes do passado. Buffon ressalta a importância de reconhecer problemas para buscar melhorias.

Reflexões pessoais e o vínculo com o futebol

Buffon comenta que a vida longe dos gramados mudou, trazendo tranquilidade e um novo equilíbrio. Ele assume o papel de pai como prioridade, sem descartar a possibilidade de retornar ao futebol, em um papel que lhe permita atuar com apreço pelo jogo.

O ex-jogador enfatiza o valor da honestidade e do autoconhecimento, defendendo que compartilhar vulnerabilidades pode fortalecer o atleta. Mantém uma visão de longo prazo sobre o que o futebol representa para ele, sem abrir mão do vínculo com o esporte.

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