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Gestor admite erro de quase R$ 100 milhões no fundo da Arena Corinthians

Gestor admite erro contábil de quase R$ 100 milhões no Arena FII, gerando ressalvas de auditoria, baixa contábil e reprocessamento de demonstrações

Neo Química Arena é casa do Corinthians desde 2014
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  • O gestor Gabriel Pupo, da Asarock, reconheceu erro contábil de cerca de R$ 80 milhões a quase R$ 100 milhões no Arena FII, ligado a receitas registradas que não ingressaram em caixa.
  • As receitas de bilheteria foram lançadas como a receber ao fundo por vários anos, distorcendo demonstrações e levando a ressalvas e abstenção de opinião de auditores independentes.
  • Balanços de 2022 e 2023 indicaram cerca de R$ 99,54 milhões e R$ 99,56 milhões em contas a receber do Corinthians; auditoria de 2022 não conseguiu confirmação externa desses valores.
  • Em 2025 houve baixa contábil de aproximadamente R$ 100 milhões após acordo entre clube, auditoria, contabilidade e administradores, com reprocessamento de exercícios anteriores.
  • O processo envolve reprocessar as demonstrações de 2023 a 2025, com expectativa de 2026 sem ressalvas, sob supervisão de liquidante nomeado pelo Banco Central; Arena FII vai publicar informações no portal de transparência.

A gestão do Arena FII, fundo que administra a Neo Química Arena, reconheceu um erro contábil de quase R$ 100 milhões nas demonstrações financeiras. As receitas registradas como a receber não ingressaram no caixa, segundo o CEO da Asarock, Gabriel Pupo.

O erro envolve lançamentos de receitas de bilheteria feitos em períodos anteriores à atual gestão. Auditorias independentes chegaram a registrar ressalvas e abstenções de opinião por causa da incerteza sobre esses valores.

Pupo informou que a divergência se ampliou durante a pandemia, quando a arena enfrentou dificuldades de conciliação. A diferença permaneceu por vários exercícios, sem confirmação externa dos recursos.

De acordo com documentos acessados pelo UOL, havia valores expressivos registrados como direitos a receber ao longo de anos, o que impactou a governança do fundo. Em 2022, o Arena FII apontava cerca de R$ 99,5 milhões a receber.

O que dizem os documentos

Os balanços de 2016 a 2018 já apresentavam receitas operacionais a receber, com saldos crescentes. Em 2017, havia cerca de R$ 36,5 milhões. Em 2018, aproximadamente R$ 28,3 milhões, segundo notas da administradora da época.

A partir de 2022, esse montante se aproximou de R$ 100 milhões e representava cerca de 13% do ativo total. As auditorias não conseguiram confirmar externamente esses valores, o que gerou ressalvas nas demonstrações.

Correção contábil e reprocessamentos

Após negociações entre o Corinthians, a auditoria, a contabilidade e administradores, houve consenso de que os lançamentos eram indevidos e deveriam ser baixados. Alguns exercícios precisaram ser reprocessados.

A assessoria da Asarock explicou que a queda de quase R$ 100 milhões entre outubro e novembro de 2025 decorreu da baixa contábil. Recursos que não haviam ingressado foram retirados do balanço.

Situação atual e próximos passos

O liquidante nomeado pelo Banco Central para a antiga administradora deve retificar as demonstrações de 2023, 2024 e 2025. A expectativa é apresentar o exercício de 2026 sem ressalvas.

Com as demonstrações regularizadas, a gestão afirma que o Arena FII terá governança mais estável e transparência ampliada. Novos planos estratégicos dependerão dessa regularização.

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