- Zico, o Samurai de Quintino, é tema do documentário dirigido por João Wainer, que busca mostrar o jogador sem precisar que alguém afirme formalmente sua grandiosidade na tela.
- O projeto começou com um acervo pessoal gigantesco do atleta, catalogado pela mulher de Zico, Sandra, incluindo fitas, troféus, camisas e notas de gols.
- A produção contratou museólogos para organizar tudo; a sala de filmagem foi montada com objetos do acervo, criando momentos para a narrativa “fluida” do filme.
- A equipe reciclou imagens de arquivo em formato SD para 4K e gravou o áudio com a torcida Raça Rubro-Negra em estúdio para ter som imersivo no cinema.
- O filme, gravado em 2023, adota narrativa não linear, destacando o pênalti perdido em 1986 e a passagem de Zico ao Japão em 1991 como momentos que estruturam o arco emocional, sem soar didático.
Zico, o ídolo do futebol brasileiro, ganha um documentário que revela bastidores despretensiosos da filmagem iniciada sem ambição cinematográfica. O projeto, dirigido por João Wainer, apresenta o ex-jogador em tom de conversa entre amigos, em uma narrativa que busca situar Zico entre os maiores da história sem depender de declarações enfáticas na tela.
A produção começou a partir de um acervo inesperado encontrado na casa de Zico, com caixas de fitas, troféus, camisas e cadernos de gols. Sandra, esposa do jogador, organizou tudo, e museólogos foram contratados para catalogar cada peça. A sala preparada para as filmagens foi montada com itens do acervo pessoal, mantendo o clima íntimo das entrevistas.
Acervo revelado e tratamento de imagem
A equipe utilizou upscale para transformar material SD da Globo em 4K, oferecendo imagens de baixa fidelidade com qualidade ampliada. O resultado permite ver Zico em jogadas históricas como se tivessem ocorrido recentemente. O manejo do som também ganhou destaque: a torcida Raça Rubro-Negra foi convidada a regravar gritos e instrumentos, criando uma experiência imersiva no cinema.
Zico afirma que o filme não surgiu como ambição de cinema, mas como uma oportunidade de revisitar a própria trajetória por meio de conversas informais. As cenas entre amigos na sala de acervo aparecem como diálogos espontâneos, sem entrevistas formais para a posteridade, fortalecendo o tom de memória compartilhada.
Abordagem narrativa e o momento de 1986
O documentário foge da linha cronológica tradicional, privilegiando o fluxo dramático sobre a ordem temporal. O pênalti perdido na Copa de 1986 é apresentado como um ponto baixo seguido pela experiência no Japão, sem necessidade de justificar a sequência dos acontecimentos. O objetivo é provocar a reflexão do espectador sobre a carreira de Zico.
Ao chegar ao Japão em 1991, no início da era da J-League, Zico vivenciou um ambiente que valorizava o coletivo e a disciplina. O diretor ressalta que, apesar das condições, o jogador encontrou um espaço onde o respeito mútuo era fundamental e a narrativa não depende de glorificações, mas de situações que tornem o tema mais humano.
Por que o cinema de futebol no Brasil é raro
O documentário também levanta questionamentos sobre a presença do futebol no cinema nacional. Zico comenta a falta de memória histórica no país e a pouca divulgação de trajetórias esportivas além das polêmicas atuais. Segundo ele, isso impede que as novas gerações tenham acesso visual à história do futebol brasileiro.
Wainer acrescenta que o formato atual do documentário esportivo brasileiro tende a ser menos cinematográfico e mais próximo de um formato jornalístico. A ideia é criar uma obra que tenha antagonista, protagonista e um ponto de virada dramático, buscando ir além do relato convencional.
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