- Marrocos investe pesado no futebol como projeto nacional, com uma academia de Salé avaliada em US$ 65 milhões (R$ 324 milhões) integrada a uma rede de mais de cem centros pelo país.
- A academia de até 120 vagas seleciona a cada ano dezenas de jovens entre milhares de candidatos, em um sistema fortemente liderado pelo Estado.
- O governo e a federação trabalham em conjunto com empresas nacionais, sob a liderança de Fouzi Lekjaa, com acesso direto a recursos públicos para infraestrutura e base de talentos.
- No âmbito esportivo, o país projeta o futebol como ferramenta de projeção internacional e preparação de jovens para clubes, destacando o papel estratégico na política esportiva e na diplomacia do país.
- A estratégia envolve investimentos bilionários no futebol, com foco em estádios e centros de formação, visando também a coorganização da Copa do Mundo de 2030 ao lado de Espanha e Portugal.
Em Salé, nos arredores de Rabat, jovens de 12 a 18 anos treinam em uma academia de futebol avaliada em US$ 65 milhões. A instituição oferece dormitórios, dez salas de aula e acompanhamento médico, e integra uma rede de mais de 100 centros no país.
A academia tem capacidade para 120 alunos e seleciona anualmente dezenas de jovens entre milhares de candidatos de diferentes regiões. A iniciativa faz parte de um programa maior de investimentos esportivos que passou a ocupar lugar central na estratégia marroquina.
Estrutura política do futebol
O projeto é orientado por um modelo estatal, com financiamento público e apoio de empresas nacionais, segundo especialistas. Fouzi Lekjaa, presidente da Federação Real Marroquina desde 2014, atua também como ministro delegado para o Orçamento, conectando governança, federação e interesses econômicos.
Lekjaa é descrito como figura-chave na transformação do futebol em prioridade estratégica, com investimentos contínuos em infraestrutura, academias de base, estádios regionais e desenvolvimento de talentos. O papel dele ilustra o alinhamento entre governo, federação e atores econômicos.
Ambições e geopolítica do esporte
Durante um seminário da Fifa, Lekjaa afirmou que o trabalho com jovens se apoia em três pilares: instalações, talentos e pessoal qualificado, com o objetivo de prepará-los para clubes profissionais.
No âmbito esportivo, Marrocos busca superar um passado de frustrações em Copas do Mundo. O país voltou à competição em 2018 e disputará a edição de 2026, integrada ao Grupo C, ao lado de Brasil, Escócia e Haiti.
Contexto econômico e estratégico
Especialistas ressaltam que o fomento ao futebol está ligado a uma visão de longo prazo de desenvolvimento e projeção externa. O país detém cerca de 70% das reservas mundiais de fosfato, administradas principalmente pelo grupo estatal OCP, grande impulsionador de investimentos públicos.
Um acordo firmado no ano anterior visa criar um fundo nacional para formação e profissionalização de centros de treinamento, com participação de parceiros privados, segundo analistas.
Projeção internacional
Pesquisadores destacam que o modelo marroquinho, ainda que menos volumoso que o de potências como o Qatar, busca consolidar Marrocos como liderança regional por meio do futebol. A estratégia envolve soft power, turismo e a marca nacional.
A ambição máxima está associada à Copa do Mundo de 2030, onde Marrocos será coanfitrião com Espanha e Portugal. A reforma de estádios e centros de formação está estimada em dezenas de bilhões de euros, financiando o desenvolvimento esportivo e infraestrutura.
Questões e críticas
Projetos bilionários têm gerado debates sobre distribuição de recursos internos. Grupos de protesto questionam o foco de investimentos em grandes centros, levantando dúvidas sobre o alcance de um projeto de nação mais amplo e inclusivo.
Marrocos continua a planejar a consolidação do futebol como instrumento de desenvolvimento, imagem externa e dinamização econômica, mantendo o foco na formação de jovens talentos.
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