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Colunista-torcedor prejudica a credibilidade do jornalismo esportivo

O colunista-torcedor compromete a isenção jornalística, mesclando paixão e parcialidade que afetam a credibilidade do jornalismo esportivo

Mauricio Stycer
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  • Mesa Redonda, da Gazeta, foi pioneira no estilo de colunista-torcedor, com comentaristas como Roberto Avallone e Chico Lang.
  • Os membros expressavam clubismo aberto e tom teatral, refletindo a paixão de torcedores de times paulistas.
  • A audiência diminuiu com a popularização de Cartão Verde, SporTV e ESPN, que adotaram jornalismo mais técnico e robusto.
  • O colunista-torcedor hoje aparece em podcasts, canais na internet e vídeos, em ambientes com remuneração ligada a cliques e visualizações.
  • A prática foi impulsionada pela precarização da imprensa esportiva e, desde 1997, com exemplos como Fala, doente!, ganhou espaço em blogs, lives e redes, alimentando debates acalorados e nem sempre respeitosos.

O debate sobre o papel do colunista-torcedor ganhou destaque após a reflexão sobre o programa Mesa Redonda, da Gazeta. O texto sustenta que o estilo do antigo formato, marcado por paixão clubística, acabou gerando uma visão menos isenta do jornalismo esportivo. A trajetória de apresentadores como Roberto Avallone e Chico Lang é citada como exemplo de pioneirismo que, com o tempo, passou a simbolizar um tom menos independente.

Segundo a análise, a ascensão de formatos mais jornalísticos, com Cartão Verde, SporTV e ESPN, ajudou a deslocar o eixo de pauta do programa para outros padrões. Avallone faleceu em 2019 e Lang teve sua demissão anunciada pela Gazeta em 2026, após décadas de atuação. O texto aponta que esse movimento marca a transição entre um jornalismo mais teatral e o que se entende hoje como cobertura esportiva com maior foco informativo.

Mudanças no perfil do jornalista esportivo

A reportagem destaca a emergência do chamado colunista-torcedor, figura cuja torcida explícita é parte do conteúdo. O fenômeno aparece em canais independentes, TVs por assinatura, plataformas online e podcasts, ampliando o alcance de vozes com viés claro. A análise aponta que a precarização da profissão, com menos empregos formais, impulsionou profissionais a buscar alternativas de remuneração por meio de cliques e audiência.

A origem do formato de colunismo com tom ficcional remete aos anos 90, quando o Lance! lançou a linha “Fala, doente!”. Hoje, grandes portais passaram a ter áreas dedicadas a torcedores, com produção de conteúdos que atendem a nichos de torcidas. A linguagem, antes apenas bem-humorada, tem evoluído para formatos que estimulam debates acalorados nas redes sociais.

Efeitos na leitura jornalística

O texto sustenta que a prática de clubismo extremo pode afetar a qualidade informativa, gerando bate-bocas que dificultam a convivência entre torcedores e profissionais. Mesmo com exemplos de entretenimento no passado, a reportagem ressalta que a tendência atual pode prejudicar a credibilidade da cobertura esportiva. Avallone e Lang são citados como exemplos de profissionais que, embora polêmicos, tinham um tratamento mais humorístico do tema.

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