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Copa do Mundo expõe endividamento, superlotação de quartos e longas escalas

Ingressos com precificação dinâmica elevam custo da Copa para torcedores argentinos, que recorrem a dívidas, quartos compartilhados e protestos pelo acesso

Argentina respira Copa do Mundo e sonha com a quarta taça.
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  • A Fifa adotou a precificação dinâmica para ingressos da Copa do Mundo, elevando os preços para torcedores argentinos que vão acompanhar a edição na América do Norte.
  • Dois ingressos da fase de grupos chegaram a US$ 700 (aprox. R$ 3.450), mais do que o triplo do preço há quatro anos, e ingressos avulsos passaram de US$ 800 (aprox. R$ 4 mil).
  • Os preços oficiais são ainda maiores em revendas, com a final vendida por valores que já passam de US$ 10 mil (aprox. R$ 50 mil).
  • Torcedores têm buscado economizar de diversas formas: dividir quartos, fazer viagens longas com escalas, pedir contribuições e contrair dívidas para financiar a estadia nos Estados Unidos.
  • O tema gera preocupação com a atmosfera do torneio no país, já que muitos podem ficar fora ou reduzir a presença de torcedores argentinos nas arquibancadas.

Matias Celestino, torcedor argentino, acompanhou todas as Eliminatórias da Argentina para a Copa do Mundo. Ele já planeja levar o tambor, a esposa e o filho aos jogos nos EUA neste verão, reforçando o esforço da torcida para acompanhar a seleção campeã mundial.

A dificuldade atual não é apenas a distância, mas o custo. Pela primeira vez em quase um século, a Fifa adotou a precificação dinâmica para ingressos. Os preços iniciais já são muito maiores do que os do último Mundial, no Catar, gerando críticas entre torcedores e políticos.

Cerca de 150 torcedores se reuniram em Buenos Aires para um churrasco, buscando dicas de economia e companheiros de viagem. O grupo comentou que os ingressos para a fase de grupo já consumiram parte significativa do orçamento familiar, com valores acima de US$ 800 por ingresso em alguns casos.

A diferença de preço é marcada entre equipes do mesmo grupo da Argentina: Jordânia, Argélia e Áustria. Em revendas, a taxa da Fifa e o markup elevam ainda mais os custos, com exemplos de ingressos para jogos da final chegando a valores expressivos no mercado secundário.

Os relatos destacam que muitos torcedores têm recorrido a medidas extremas para viabilizar a viagem. Pessoas vendem bens ou recorrem a dívidas para financiar estadias de cerca de um mês nos EUA. Em alguns casos, há divisão de quartos de hotel com várias pessoas para reduzir despesas.

A economia do país também compõe o cenário: salários médios baixos, inflação elevada e alta informalidade na força de trabalho ajudam a entender o engajamento da torcida. Especialistas ressaltam que, mesmo diante do aperto financeiro, o futebol funciona como símbolo de orgulho nacional.

O impacto sobre a atmosfera nas partidas é uma preocupação entre fãs. Torcedores relatam que os preços altos podem reduzir a presença de argentinos nas arenas, prejudicando a paisagem sonora e visual típica das Copas.

Diante da situação, torcedores já buscam alternativas para manter a presença na Copa. Alguns apontam que mudanças no acesso aos ingressos podem ser decisivas para preservar a tradição de vestir azul e branco nas cidades-sede da América do Norte.

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