- O futebol brasileiro é visto como ativo subavaliado com grande demanda e potencial de monetização, principalmente em direitos de transmissão, que hoje são menos valorizados que em ligas como a Premier League.
- A criação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) abriu espaço para investidores; a transformação depende de profissionalização, fair play financeiro e centralização dos direitos comerciais.
- A liga unificada é considerada crucial para maximizar o valor econômico, já que apenas 1% das receitas vem do exterior no Brasil, vs. 40%–60% na Premier League.
- Em Nova York, no Itaú BBA Sports Summit, executivos destacaram que o Brasil tem demanda de mais de 100 milhões de fãs e é maior exportador de jogadores, mas precisa exportar o campeonato como produto.
- O cenário mistura otimismo com cautela: há investimentos de grupos como Red Bull, City Football Group e private equity, mas há cansaço de alguns investidores e preocupação com o timing para estruturar uma liga forte.
O futebol brasileiro é visto como um ativo com grande potencial de monetização, apesar de ainda subutilizado em comparação com ligas internacionais. A valorização passa pela profissionalização, pelo fair play financeiro e pela centralização de direitos comerciais.
Em Nova York, nas portas da Copa de 2026, executivos de clubes, investidores e bancos participaram do Itaú BBA Sports Summit para debater o tema. A transmissão de direitos do futebol nacional movimenta hoje cerca de US$ 600 milhões por ano.
A visão dominante é de convergência entre capital, regulação e demanda, que cria oportunidade para estruturar o esporte como ativo global. Ainda assim, o mercado reconhece que o Brasil precisa evoluir para capturar esse valor.
Fase de diagnóstico e números
Segundo Guilherme Ávila, head de sports, media and entertainment do Itaú BBA, há interesse de investidores em alocar capital em ligas esportivas, mas poucas ligas têm tanto potencial de destravar valor quanto a brasileira. O desafio é transformar demanda em produto.
Luiz Ribeiro, da General Atlantic, aponta que o Brasil tem o ativo demanda, mas falta exportar o campeonato. O esporte é visto como indústria protegida pela tecnologia, como IA, mas requer organização de produto para monetização internacional.
Atualmente, apenas 1% das receitas vêm do exterior, enquanto na Premier League a fatia externa fica entre 40% e 50%. Além disso, a liga inglesa gera em torno de US$ 12 por habitante em mídia, enquanto o Brasil fica próximo de US$ 2 per capita.
Perspectivas e caminhos
Marcos Motta, vice-presidente do Flamengo, destaca a necessidade de transformar o campeonato em um produto exportável, não apenas o jogador. A ideia é manter mais valor dentro da indústria local e tornar o futebol brasileiro competitivo globalmente em audiência, mídia e capital.
A criação das SAFs acelerou movimentos de entrada de investidores privados, com atuação de Red Bull, City Football Group e fundos de private equity. A centralização dos direitos comerciais é citada como chave para ampliar receitas e eficiência de distribuição.
Pedro Daniel, CEO do Atlético-MG, aponta três pilares para o novo ciclo: profissionalização, equilíbrio financeiro e centralização de direitos. Sem isso, o país pode continuar subutilizando um mercado com enorme demanda doméstica.
Desafios e timmings
O otimismo é acompanhado de cautela. Investidores já demonstram cansaço com promessas repetidas, enquanto outros veem o mercado mais maduro e com maior potencial de entrada. O tempo de atuação pode influenciar decisões de investimento.
Os participantes concordam que o Brasil precisa de uma liga unificada para consolidar receitas e melhorar a negociação internacional. O objetivo é apresentar ao mercado externo um produto bem estruturado, com governança clara.
A aposta é simples: se o futebol brasileiro resolver governança e estruturar uma liga forte, pode transformar um produto historicamente submonetizado em uma das plataformas esportivas mais valiosas de mercados emergentes.
Entre na conversa da comunidade