- A Copa do Mundo de 2026, realizada nos EUA, Canadá e México, pode emitir cerca de 9 milhões de toneladas de CO₂, com aproximadamente 7,7 milhões vindo de viagens aéreas.
- O aumento de participantes para quarenta e oito equipes e o vasto alcance entre países elevam as distâncias de viagem, tornando o torneio potencialmente o mais poluente já registrado.
- Há críticas ao patrocínio da Aramco, empresa estatal saudita, considerado um exemplo de greenwashing; mais de cem jogadoras influentes já questionaram a parceria.
- O calor extremo previsto para junho e julho nos EUA levanta preocupações de saúde para jogadores, fãs e oficiais, com estudos estimando altas temperaturas de WBGT que podem exigir pausas periódicas.
- A Fifa afirma medidas de mitigação, como jogos no entardecer e pausas de hidratação de três minutos, mas há dúvidas sobre a efetividade dessas ações e o impacto ambiental real.
O Mundial de 2026, que terá Canadá, México e Estados Unidos como sede, promete ser o evento mais discutido por questões climáticas e de organização já registradas. Estima-se que as emissões de gases de efeito estufa atinjam cerca de 9 milhões de toneladas de CO2 equivalente, com o transporte aéreo respondendo por quase 7,7 milhões de toneladas.
A projeção coloca o torneio à frente em poluição entre Copas já realizadas, em comparação com a média histórica. O aumento no número de seleções e a abrangência geográfica elevam distâncias de deslocamento entre cidades, o que impulsiona o consumo de combustível fóssil e o uso de infraestrutura de deslocamento.
Emissões, distâncias e escolhas organizacionais
A FIFA elevou o número de equipes de 32 para 48, ampliando o alcance geográfico do evento. Três países-sede trazem grandes distâncias entre cidades, tornando deslocamentos mais complexos para torcedores e equipes. O conjunto de emissões é compatível com cenários de alto consumo de energia em transporte e estágios.
Estudos indicam que o transporte aéreo é responsável por boa parte das emissões. Também há impactos associados a sistemas de dessalinização de água e a usos de energia em estádios. Em comparação com ciclos anteriores, o patamar de CO2 do Mundial de 2026 é apresentado como superior em número de toneladas.
Controvérsias e parcerias comerciais
A parceria com a Aramco, estatal saudita e maior emissor de carbono entre as empresas, tem gerado críticas entre atletas e organizações ambientais. Associações de jogadoras e críticas de especialistas apontam riscos ambientais e questionam o alinhamento de patrocínios com metas de sustentabilidade.
O tema do aquecimento global também envolve a proteção de atletas e públicos. A previsão de temperaturas elevadas e índices de calor, com períodos em que o WBGT deve superar limites críticos, acende o debate sobre condições de jogo e a necessidade de pausas para hidratação.
Medidas de mitigação e críticas
A FIFA tem adotado ações para reduzir impactos, como o início dos jogos em horários mais frescos em algumas cidades e a implementação de pausas de hidratação durante as partidas. Além disso, há autorizações para que emissoras usem parte dos intervalos para comerciais, desde que não atrapalhem o andamento do jogo.
Especialistas apontam que as medidas anunciadas não chegam a compensar o peso ambiental do torneio. Pesquisadores destacam que as emissões do Mundial atual podem representar custos de saúde pública e impactos prolongados no clima, se não houver políticas mais robustas de sustentabilidade.
Conclusões e próximos passos
Analistas ressaltam que o compromisso público com o meio ambiente precisa acompanhar as promessas feitas. O histórico de campanhas de “greenwashing” é citado como alerta para acompanhar resultados reais de redução de emissões. O evento, contudo, permanece em aberto quanto a mudanças efetivas nas práticas de gestão ambiental.
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