- A Libra, criada em maio de 2022, funciona como bloco de negociação de direitos comerciais do Brasileirão e já reúne quatorze clubes, sem investidores externos, incluindo Flamengo, São Paulo e Palmeiras até 2026, com contratos que envolvem TV aberta, streaming e patrocínios.
- O grupo fechou acordo de R$ 6 bilhões com a Globo para a venda dos direitos do Brasileirão de 2025 a 2029.
- Em 5 de maio de 2026, o Palmeiras anunciou sua saída da Libra, citando atitudes consideradas predatórias para assegurar o acordo bilionário entre Flamengo, Grêmio e a continuidade do contrato com a Globo, incluindo um repasse de R$ 24 milhões ao Grêmio para obtenção de votos.
- A exposição de imagem na TV aberta é desigual entre equipes, o que favorece clubes com maior alcance de transmissão, como Flamengo e Palmeiras, e é apontado como ponto de discórdia dentro da Libra.
- A Federação Brasileira de Futebol voltou a ter protagonismo, com Samir Xaud assumindo a presidência e promovendo reuniões para discutir uma liga única; prazo até julho de 2026 para propostas, com a possibilidade de oficializar o estatuto ainda em 2026.
A Libra (Liga do Futebol Brasileiro) mantém um modelo de gestão sem investidores externos e trabalha com a perspectiva de um contrato bilionário com a Globo para o ciclo 2025-2029. O bloco negocia direitos comerciais do Campeonato Brasileiro de forma conjunta, incluindo TV, streaming e patrocínios, visando ampliar receitas para os clubes.
Criada em 2022, a Libra surgiu em São Paulo com o objetivo de profissionalizar o esporte e replicar modelos de ligas estrangeiras. Em seu formato atual, o grupo representa 14 clubes, entre equipes da Série A e da Série C, com a propriedade dos ativos pelos clubes e a negociação centralizada pelo bloco.
Atualmente, a Libra conta com oito clubes no ato de fundação: Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos, São Paulo, Cruzeiro e Ponte Preta. Hoje, a organização agrega Flamengo, São Paulo, Bahia, Bragantino, Grêmio, Remo, Santos, São Paulo, Vitória, Guarani, Paysandu, Brusque, Ferroviária, Volta Redonda, entre outros.
Saída de Palmeiras e mudanças na composição
Em 5 de maio de 2026, o Palmeiras anunciou a sua saída da Libra, citando atitudes que, segundo o clube, inviabilizaram sua permanência. A decisão levou o grupo a ficar com 14 equipes: Flamengo, São Paulo, Bahia, Bragantino, Grêmio, Remo, Santos, Guarani, Paysandu, Brusque, Ferroviária, Volta Redonda, ABC e Sampaio Corrêa.
A saída ocorreu em meio a tensões internas, incluindo um acordo paralelo entre Flamengo e Grêmio. O Flamengo teria repassado 24 milhões de reais ao Grêmio para garantir apoio em votações e sustentar o contrato com a Globo, prática interpretada pelo Palmeiras como compra de votos e gestão predatória.
A negociação de exposição das equipes na TV aberta também compõe o debate: em partidas da Copa Libertadores disputadas em 20 de maio de 2026, Palmeiras e Flamengo tiveram transmissões diferentes, com o Palmeiras restrito a estados específicos e o Flamengo alcançando maior cobertura nacional, o que afeta a visibilidade de marcas dos clubes.
A Libra enfrenta críticas por não uniformizar a distribuição de exposição na TV aberta, o que contribui para desequilíbrios entre clubes de maior e menor torcida. Além disso, o grupo observa a desconfiança com a FFU, que optou por captar recursos de investidores privados em contratos de longo prazo, elevando a percepção de assimetria financeira entre os participantes.
O papel da CBF e o cenário institucional
A CBF tem ganhado espaço institucional diante de crises anteriores na gestão do futebol brasileiro. Em 2025, Samir Xaud assumiu a presidência com promessas de maior estabilidade e críticas aos resultados comerciais dos blocos, citando especificamente o contrato da Série B. Em maio de 2026, Xaud afirmou que não existe liga sem a CBF, segundo relatos de eventos ocorridos em Fortaleza.
Em abril de 2026, a CBF realizou uma reunião com 40 clubes das Séries A e B para discutir a possibilidade de uma liga única. A confederação apresentou um cronograma institucional visando oficializar o estatuto de uma nova liga sob sua tutela até o fim do ano, mas ainda não há consenso sobre como romper contratos de longo prazo já firmados com as ligas atuais.
A Libra não se manifestou sobre as informações recebidas para esta reportagem. A disputa entre blocos, a visão da CBF e as mudanças de alinhamento entre clubes continuam a moldar o cenário do futebol brasileiro neste ciclo de negociação de direitos.
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