- FFU e Libra perdem força e a CBF volta a ganhar protagonismo, tentando mandar nos direitos comerciais do futebol brasileiro; metas de criar uma liga única sob tutela da CBF até o fim do ano.
- Palmeiras saiu da Libra em 5 de maio de 2026; a decisão ocorreu após conflitos internos, incluindo um acordo paralelo entre Flamengo e Grêmio para apoio mútuo, visto como tentativa de garantir votos.
- Guia de exposição na TV aberta não é igualitário na Libra; jogos da Libertadores mostraram disparidades regionais de transmissão, beneficiando Flamengo; Palmeiras também deixou o bloco.
- FFU depende de financiamento externo via debêntures emitidas pela Sports Media Entertainment; a LiveMode atua como agência, cotista e parte da estrutura, com críticas de clubes menores sobre governança e concentração de funções.
- A insatisfação na Série B da FFU aumenta; clubes como Vila Nova, Operário e Cuiabá relatam dificuldades de fluxo de caixa e custos elevados, com o total pago pela venda de parte dos direitos de TV na Série B estimado em quase R$ 890 milhões.
A pandemia de disputas entre ligas de futebol profissional e a volta de protagonismo da CBF marcam o cenário do esporte nacional. Duas ligas, FFU e Libra, enfrentam desgaste financeiro e conflitos internos, enquanto a Confederação Brasileira de Futebol intensifica o papel regulador e negociador dos direitos de transmissão.
A Libra, criada para representar 14 clubes, perdeu o Palmeiras em maio de 2026. O desgaste decorre de um acordo paralelo entre Flamengo e Grêmio, no qual o Flamengo repassou 24 milhões de reais ao Grêmio para assegurar apoio em votações, segundo acusações de compra de votos. Palazzo de insatisfação levou à saída de time relevante e ao questionamento de governança.
A FFU encara críticas por sua estrutura e por contratos de longo prazo com investidores. Clubes menores veem pressão financeira decorrente de repasses e das condições impostas pela LiveMode, agência que atua também como cotista de fundos envolvendo a operação. A disputa interna aumentou a desconfiança entre filiados e ampliou dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo.
Enquanto Libra e FFU passam por disputas internas, a CBF volta a se apresentar como instituição mediadora. A confederação promoveu reunião com 40 clubes da Série A e B, buscando estudar a adoção de uma liga única. O cronograma institucional prevê propostas até julho de 2026, com a ideia de oficializar o estatuto de uma liga sob tutela da CBF até o fim do ano.
No âmbito financeiro, a FFU utilizou debêntures para viabilizar cerca de 2,6 bilhões de reais, com a estrutura da Sports Media Entertainment S.A. mantendo controle conjunto de fundos e cotistas. Observa-se participação de investidores estrangeiros e de veículos de investimento que envolvem a LiveMode, o que aumenta a complexidade e a necessidade de transparência.
As críticas sobre a governança da FFU vieram com foco em a asfixia financeira de clubes da Série B e nas margens de negociação para direitos de transmissão. Clubes como Vila Nova, Ceará e América-MG relatam dificuldades, citando taxas de intermediação e earn-in como fatores de pressão sobre o fluxo de caixa.
A CBF tem justificado sua atuação pela necessidade de uma organização que garanta equilíbrio de mercado e de contratos. O presidente da CBF, eleito em 2025, afirmou que não existe liga sem a CBF e que a entidade pode atuar como mediadora em cenários de disputas. A instituição adianta prazo para receber propostas e manter o instrumento de mediação.
O caso da FFU envolve a estrutura de financiamento e a operação da LiveMode, além de debêntures emitidas por meio de fundos de investimento vinculados à Sports Media. Documentos indicam participação de cinco investidores estrangeiros não residentes, com montantes elevados e camadas de estruturas financeiras, sem apontar ilegalidade. Clubes menores afirmam ter assinado contratos sem prever toda a complexidade.
Entre as principais perguntas permanece a validade de romper contratos de longo prazo com as ligas criadas. A associação de clubes exige caminhos para romper vínculos sem onerar demais as estruturas já estabelecidas. A CBF sinaliza disponibilidade de propostas para um caderno institucional que consolide a negociação de direitos, ainda sem data de implantação.
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