- A Conmebol suspendeu por quatro meses Eduardo Conceição, atacante da base do Palmeiras, e um jogador argentino envolvido no caso, por discriminação durante o Sul-Americano sub‑17.
- No duelo entre Brasil e Argentina, disputado no Paraguai no dia 10 de abril, Conceição imitou um macaco para protestar contra insultos racistas que afirmou ter recebido, após um gol.
- O árbitro paraguaio não acionou o protocolo antirracismo, que prevê paralisar a partida em casos de ofensa recorrente.
- A decisão foi mantida pela comitê disciplinar da Conmebol, que pediu à Fifa a extensão da pena a todas as competições, enquanto a CBF e o Palmeiras recorreram da punição.
- O caso ocorre em meio a críticas à Conmebol sobre combate ao racismo; em outra ocasião, torcedores xingaram um jogador brasileiro da base do Palmeiras, reacendendo debates sobre as medidas da entidade.
Em um desdobramento que amplia o debate sobre racismo no futebol sul-americano, a Conmebol suspendeu por quatro meses Eduardo Conceição, atacante da base do Palmeiras, e o argentino Benítez, meio-campista, por manifestação considerada discriminatória durante o Sul-Americano Sub-17. O episódio ocorreu no dia 10 de abril, durante Brasil x Argentina, em Villeta, no Paraguai. A punição vale para todas as competições sob jurisdição da Conmebol.
O episódio se deu após o terceiro gol do Brasil, quando Conceição comemorou de forma irônica, imitando um macaco, em protesto contra ataques raciais relatados dentro de campo. O árbitro paraguaio David Ojeda não acionou o protocolo antirracismo, que prevê paralisação ou encerramento da partida em casos de ofensa continuada. A decisão da Conmebol classifica o ato como discriminação e aplica a penalidade aos dois jogadores.
A Conmebol também solicitou à Fifa a extensão da pena para outras competições internacionais sob a cafeteira mundial. A defesa do Palmeiras e a da CBF protocolaram recurso contra a decisão, alegando que o gesto pode ter sido entendido no contexto de protesto contra a ofensa racista e não como ofensa direta. A Conmebol não divulgou detalhes adicionais sobre o andamento do recurso.
A suspensão impacta a preparação de Conceição para o Mundial Sub-17, marcado para novembro no Qatar. Em nota, o Palmeiras informou que a CBF apoiará o recurso apresentado pela equipe para sustentar a tese de erro de enquadramento no caso. A diretora do clube, Leila Pereira, destacou publicamente a necessidade de mecanismos mais efetivos no combate ao racismo e mencionou possibilidades de reavaliação de vínculos com a confederação, sem adiantar desfiliação.
Em paralelo, o cenário sul-americano segue distinctamente marcado por críticas a gestões frente a incidentes raciais. Especialistas apontam que faltam ações preventivas consistentes e o envolvimento de confederações, clubes e organizações anti-racistas para uma resposta coordenada. Em campo, a seleção brasileira terminou a competição nas semifinais, ao perder para a Colômbia, e assegurou o terceiro lugar contra o Equador.
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