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Palmeiras e clubes enfrentam risco alto por dependência na venda de atletas

Palmeiras depende fortemente de venda de atletas, respondendo por quarenta e um por cento da receita em dois mil e vinte e cinco, elevando risco financeiro se esse fluxo falhar

Rayan, que saiu do Vasco para o Bournemouth, foi a maior venda do ano: R$ 220 milhões (Foto: Divulgação)
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  • O Palmeiras teve quarenta e um por cento de suas receitas em 2025 provenientes da venda de atletas, destacando a dependência desse mecanismo para fechar as contas.
  • Em set/2025, o clube registrou receita de R$ 1,6 bilhão e dívida de R$ 1,029 bilhão; operacionalmente, sem vendas, a tendência é manter a receita estável em torno de R$ 600 milhões nos anos recentes.
  • O economista César Grafietti aponta risco alto: se a venda de jogadores não sustentar as receitas, o clube pode enfrentar déficit, mesmo com capacidade de antecipar receitas em alguns casos.
  • Nos últimos cinco anos, o Palmeiras foi o maior arrecadador com venda de atletas, com R$ 1,75 bilhão; Flamengo ficou em segundo, com patamar menor, seguido por São Paulo e Fluminense.
  • Rivais passaram a investir mais na base, elevando a concorrência por talentos (Flamengo, Bahia, Red Bull Bragantino, Cruzeiro), o que pode tornar a dependência de vendas ainda mais desafiadora para o Palmeiras.

A dependência de receitas geradas pela venda de atletas preocupa Palmeiras e outros gigantes do futebol brasileiro. O clube paulista teve 41% de suas receitas ligadas a transferências no ano de 2025, segundo o relatório da Galápagos Capital.

O levantamento, intitulado Convocados, analisa riscos financeiros de clubes que promovem o modelo de manter base e vender jogadores para fechar as contas. O estudo cita o Brasil como um dos maiores exportadores de talento, com 1.455 jogadores atuando no exterior, em 135 ligas.

Na prática, a dependência de vendas tem sido uma estratégia comum para equilibrar orçamento. Entre os maiores gastos com atletas anunciados na última janela, Palmeiras, Botafogo e Fluminense aparecem entre os clubes que mais dependem dessas transações para manter as contas em dia.

Segundo o relatório, o Palmeiras acumulou 1,029 bilhão de reais em dívidas, e a receita total atingiu 1,6 bilhão em 2025, impulsionada pela Copa do Mundo de clubes. O criticado peso das transferências fica visível na fatia de 41% da receita total, acima de rivais como Flamengo (26%), São Paulo (28%) e Fluminense (23%).

Entre os exemplos de venda que puxaram o ranking de receitas, destacam-se: Rayan, que deixou o Vasco rumo ao Bournemouth por 35 milhões de euros (aprox. 220 milhões de reais); Jhon Jhon, do Bragantino para o Zenit, por cerca de 125 milhões de reais; e Souza, do Santos para o Tottenham, por 95 milhões de reais.

Riscos e impactos para o planejamento

César Grafietti, economista responsável pelo relatório, aponta que clubes dependentes de venda de atletas enfrentam riscos de desequilíbrio financeiro se o fluxo de transferências diminuir. O Palmeiras, embora com receita estável em termos operacionais, precisaria vender entre 400 e 600 milhões de reais anualmente para manter o equilíbrio caso ocorram ajustes no ritmo de vendas.

O estudo ressalta que outros clubes que adotaram o mesmo modelo no passado enfrentam problemas semelhantes. São Paulo e Internacional são citados como exemplos de quedas na arrecadação após reduzir as vendas por alguns anos.

A competição pela formação de talentos também ganha fôlego. Flamengo, Bahia, Red Bull Bragantino e Cruzeiro passaram a investir mais na base, o que aumenta a concorrência para capturar promessas. Assim, a dependência de transferências pode se tornar ainda mais desafiadora para manter a mesma trajetória de receitas.

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