- Obras para reformar o estádio Conde Rodolfo Crespi, na Mooca, começaram em maio sem autorização da prefeitura nem do Conpresp, órgão responsável pela defesa do patrimônio tombado.
- O objetivo é ampliar as arquibancadas para até 15 mil torcedores, para atender aos requisitos da Federação Paulista de Futebol na temporada de 2027.
- A análise técnica do restauro está em curso pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) e, só após, o Conpresp poderá autorizar as obras; o alvará também é avaliado pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento.
- Parte das intervenções envolve demolição de estruturas não tombadas, incluindo um ginásio próximo à entrada da Rua Javari, processo iniciado poucos dias após o Juventus vencer a Ferroviária na final da série A2.
- Durante a transição para a SAF, houve suspeitas de desvio de finalidade de recursos, levando a sindicância interna e a investigação de lavagem de dinheiro; o Conpresp suspensionou a multa ao Juventus enquanto reavalia o projeto.
O Clube Atlético Juventus iniciou, em maio, obras de reforma no Estádio Conde Rodolfo Crespi, conhecido como Rua Javari, na Mooca, Zona Leste de São Paulo. A intervenção ocorreu sem a autorização prévia da prefeitura e do Conpresp, órgão municipal responsável pela defesa do patrimônio, que tem o tombamento do conjunto como requisito obrigatório para qualquer intervenção.
As obras visam ampliar a capacidade do estádio para até 15 mil torcedores, atendendo ao cenário de jogos da série A1 do Paulistão 2027. O objetivo é permitir partidas em casa da equipe na primeira divisão do campeonato no próximo ano, conforme avaliam os responsáveis pela SAF-Juventus. A prefeitura e o Conpresp informaram que o projeto ainda está em análise técnica.
Perto da Rua Javari, moradores e comerciantes relataram ruídos e movimentação de operários. Ao final de maio, parte da estrutura, incluindo alambrado, bancos de reservas em concreto e uma arquibancada lateral, foi demolida, bem como um ginásio de futsal próximo à entrada da via. A reforma envolve ainda demolição de edificações não protegidas pelo tombamento, segundo as informações oficiais.
Segundo a Secretaria Municipal de Cultura, a avaliação técnica do DPH (Departamento do Patrimônio Histórico) encara itens como restauro, conservação e requalificação do bem tombado. Só após conclusão desse estudo o Conpresp poderá autorizar as intervenções. Um alvará de reforma está em análise pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento.
A SAF-Juventus não detalhou o escopo do projeto nem as dimensões atuais das obras. Em redes sociais, a loja oficial do clube começou a vender cadeiras originais numeradas e trechos do alambrado da Javari, com o slogan para eternizar o patrimônio. A iniciativa gerou questionamentos sobre o cumprimento de normas e prazos.
Entre os motivos para a ampliação, consta a necessidade de cumprir o requisito da Federação Paulista de Futebol para sediar jogos da série A1 no próximo ano, o que motiva a busca por aumento da capacidade do estádio. O time ressalta a importância de manter a tradição e a presença da torcida em casa na Mooca.
Em paralelo, processos internos e investigações voltadas à gestão anterior do Juventus acompanham o andamento da reforma. A administração anterior foi alvo de sindicâncias e de inquéritos criminais envolvendo possível desvio de recursos usados em obras de conservação. A SSP informou que há apuração sob a forma de lavagem de dinheiro, com suspeitas de repasses a empresas não vinculadas à finalidade original.
Diante de evidências de irregularidades anteriores, o Conpresp decidiu suspender temporariamente a aplicação de multa ao Juventus enquanto o projeto é analisado. A decisão definitiva dependerá, novamente, da avaliação técnica em curso. A prefeitura não confirmou prazos nem possíveis punições ao clube neste estágio.
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