- João Saldanha, conhecido como “João Sem Medo”, foi treinador da seleção brasileira nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970, tema da série Brasil 70 – A Saga do Tri da Netflix.
- Militante histórico, foi secretário-geral da União da Juventude Comunista e opositor da ditadura, sendo preso pelo DOPS em 1947.
- Em 1969, recebeu a missão de reconstruir a seleção após o fracasso de 1966 e levou o Brasil a 100% de aproveitamento nas eliminatórias para o México, com ataques ao regime para manter independência no comando.
- A relação com Pelé gerou atritos sobre posição do camisa 10 e a forma de jogar, além de disputas com dirigentes da época, incluindo a polêmica envolvendo Dadá Maravilha.
- Em março de 1970, Saldanha foi demitido; Mário Zagallo assumiu e conduziu o Brasil ao tricampeonato, enquanto Saldanha é lembrado como figura central na montagem da base vitoriosa de 1970.
João Saldanha, conhecido como “João Sem Medo”, surge na Netflix Brasil 70 – A Saga do Tri como peça-chave da reconstrução da Seleção Brasileira nas eliminatórias para o México 1970. O destaque vem da liderança de Saldanha diante de um país sob regime militar, em meio a tensões políticas e esportivas.
O treinador era jornalista, comentarista esportivo e militante político. Nascido em Alegrete (RS) em 1917, teve passagem pelo Botafogo como jogador e dirigente. Formado em Direito, consolidou-se na imprensa antes de assumir o comando técnico.
Em 1969, recebeu a missão de reconstruir o time após a decepção de 1966. A narrativa da série mostra Saldanha buscando Pelé para a Copa de 1970, após o anúncio de sua aposentadoria provisória. O Brasil venceu as seis partidas das Eliminatórias e assegurou a vaga de forma invicta.
Sob a alcunha de *feras de Saldanha*, o grupo apresentou futebol ofensivo. Vitórias sobre Colômbia, Venezuela e Paraguai levaram o Brasil a marcar 23 gols e sofrer apenas dois. A campanha ficou marcada pela postura crítica ao governo militar.
Desafios e tensões
A relação com dirigentes da CBD e com o presidente Médici foi marcada por atritos. A imagem pública de independência de Saldanha contrastou com pressões políticas da época.
Havia divergências com Pelé sobre a função do atacante. Saldanha defendia Pelé em posição mais adiantada, enquanto o jogador preferia atuar como armador. A discussão envolveu, ainda, críticas à condição física do craque.
Em março de 1970, Saldanha deixou o comando da Seleção. Mário Zagallo assumiu e conduziu o Brasil ao tricampeonato no México. Mesmo sem estar na Copa, Saldanha é lembrado pela formação da base vitoriosa de 1970.
O legado do treinador é visto como fundamental para o futebol brasileiro. Sua postura frente ao poder e a construção de uma equipe vencedora permanecem como marco histórico.
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