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Atletas da RD Congo ameaçados de morte pelo governo antes de jogo com o Brasil

Antes de enfrentar o Brasil em 1974, atletas do Zaire foram ameaçados de morte pelo ditador, e o lance de Mwepu Ilunga ganhou notoriedade sob pressão política e futebolística

Seleção do Zaire no jogo contra o Brasil, na Copa do Mundo de 1974 — Foto: Werner OTTO/ullstein bild via Getty Images
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  • Na Copa do Mundo de 1974, no Mundial disputado na Alemanha Ocidental, jogadores do Zaire foram ameaçados de morte pelo ditador Mobutu Sese Seko caso perdessem por quatro gols de diferença contra o Brasil.
  • Antes do jogo contra o Brasil, o regime prometeu prêmios e bens, mas os atletas souberam que parte do dinheiro havia sido desviada por dirigentes do governo.
  • A seleção do Zaire já havia sido goleada pela Iugoslávia por nove a zero na rodada anterior, doença que aumentou o desânimo e a pressão externa.
  • No jogo contra o Brasil, o zagueiro Mwepu Ilunga ficou famoso ao sair da linha de impedimento e afastar a cobrança de falta, prática vista por décadas com tom de desrespeito às regras.
  • Anos depois, Ilunga confirmou que o lance foi proposital para ganhar tempo, temendo que o Brasil marcasse outro gol; a história foi divulgada em entrevista à BBC em 2010.

O episódio ocorreu na Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental, envolvendo o Zaire, atual República Democrática do Congo. Antes da partida contra o Brasil, os atletas foram ameaçados de morte pelo ditador Mobutu Sese Seko, que usava o futebol como ferramenta de propaganda.

Mobutu prometeu carros, casas e prêmios financeiros para motivar jogadores a se classificarem. Após a estreia, derrota por 2 a 0 para a Escócia; a equipe descobriu que os recursos prometidos haviam sido desviados por dirigentes do governo.

Contexto político e preparação

A derrota para a Iugoslávia, por 9 a 0, na segunda rodada, provocou revolta interna. Os jogadores ficaram desmotivados e a derrota histórica abriu espaço para pressão externa sobre a delegação.

Depois da goleada, Mobutu enviou comitiva de ministros e militares ao torneio. Ameaças severas partiram de guardas presidenciais caso o Zaire perdesse por quatro gols ou mais para o Brasil, com riscos de punições que incluíam prisão e risco à família.

O lance histórico

Na cobrança de uma falta próxima ao fim do primeiro tempo, o zagueiro Mwepu Ilunga saiu da linha e afastou a bola, desrespeitando as regras de barreira. Anos depois, Ilunga explicou que agiu para ganhar tempo e evitar novo golpe histórico contra a equipe.

Ilunga faleceu em 2015; em entrevista à BBC em 2010, ele revelou ter feito o gesto deliberadamente para proteger a equipe diante da pressão externa e dos interesses de quem assistia aos camarotes.

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