- A Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México, começa com preocupação de calor extremo que pode influenciar o desempenho e a saúde de jogadores e torcedores.
- Estudos indicam que quase um quarto dos 104 jogos pode ocorrer em condições de estresse térmico, com variações significativas entre seleções.
- O índice Wet Bulb Globe Temperature (WBGT) é o principal parâmetro utilizado para medir o estresse térmico, pois leva em conta temperatura, umidade, radiação solar e ventilação.
- Especialistas contestam os protocolos da FIFA e pedem critérios mais rígidos para interromper ou adiar partidas em calor extremo, com divergência sobre os limites do WBGT.
- Torcedores também ficam em risco, e há expectativa de pontos de hidratação e estruturas de resfriamento, apesar de críticas à proibição de garrafas reutilizáveis nos estádios.
A Copa do Mundo de 2026, que começa nesta semana, chega cercada por alertas sobre o calor extremo. Médicos, climatologistas e representantes de atletas alertam que o ambiente pode afetar o desempenho e a saúde de jogadores e torcedores ao longo do torneio, realizado nos Estados Unidos, Canadá e México.
O evento terá 48 seleções e 104 partidas distribuídas por 16 cidades. A geografia diversa implica estádios climatizados e cidades com verões intensos, em especial Miami, Houston, Dallas e Monterrey, onde o calor e a umidade podem exigir adaptações rápidas.
Estudos apontam que quase um quarto dos jogos poderá ocorrer sob condições de estresse térmico. A análise usa indicadores como o WBGT, que considera temperatura, umidade, radiação solar e ventilação para medir o esforço térmico para atletas.
Clima desigual entre as seleções
Dados da Bloomberg News indicam variações significativas. Tunisia aparece como seleção mais exposta ao calor na fase de grupos, seguida por França, Gana, Equador e Iraque, segundo o estudo. Uzbequistão figura entre os casos mais favorecidos, com jogos em estádios climatizados.
A diferença não está apenas na temperatura média. Em alguns casos, equipes disputarão partidas em ambientes muito distintos em curto intervalo, exigindo rápida adaptação fisiológica e planejamento de recuperação.
Pesquisadores apontam que oscilações climáticas podem impactar recuperação muscular, resistência e rendimento técnico, principalmente nas fases eliminatórias.
O que é o WBGT
O WBGT é o principal índice utilizado para medir o estresse térmico em esportes de alta intensidade. Ele leva em conta umidade, calor, radiação solar e circulação de ar, oferecendo avaliação mais precisa que a temperatura comum.
Especialistas destacam que, em condições de alta umidade, a evaporação do suor fica menos eficaz, dificultando o resfriamento natural do corpo. Nesses cenários, temperaturas moderadas ainda podem representar risco.
Protocolo e críticas à FIFA
A proximidade do torneio ampliou críticas às diretrizes de proteção da FIFA. Um grupo de 21 especialistas enviou uma carta aberta questionando a robustez das regras diante do calor esperado.
A discordância envolve especialmente o intervalo de intervenção diante do estresse térmico. FIFPRO recomenda pausas de hidratação e adiamento de partidas quando o WBGT ultrapassa ~28°C; a FIFA utiliza margens mais elevadas.
Mudanças climáticas entram no debate
Pesquisadores da World Weather Attribution alertam que temperaturas atuais elevam a probabilidade de condições perigosas para atletas e torcedores. Partidas podem exigir medidas adicionais, como pausas mais longas e monitoramento meteorológico contínuo.
O debate ganhou força após ondas de calor recentes na Europa, ressaltando os desafios de grandes eventos esportivos em verões mais quentes no hemisfério norte.
Experiência recente como alerta
Durante o Mundial de Clubes dos EUA, em 2025, houve reclamações sobre condições climáticas em cidades-sede. Partidas com altas temperaturas geraram críticas à preparação para a Copa de 2026.
A seleção da Alemanha reforçou manter centro de treinamento na Carolina do Norte para enfrentar o calor, sinalizando medidas de adaptação já adotadas por equipes.
Meteorologistas consultados pela Reuters veem o torneio como um grande teste da capacidade do futebol de se adaptar a um clima em mudança, com previsões de temperaturas acima da média histórica em diversas regiões.
Torcedores sob risco
A preparação envolve não apenas atletas. Torcedores podem ficar expostos ao calor por longos períodos antes das partidas. Idosos e pessoas com doenças cardíacas integram grupos mais vulneráveis.
A FIFA proibiu garrafas reutilizáveis nos estádios, o que gerou críticas de entidades de torcedores. A entidade promete pontos de hidratação e áreas de resfriamento para o público.
Um adversário invisível
Histórica e tecnicamente, o clima pode influenciar a performance tanto quanto adversários em campo. O conjunto calor-umidade-Deslocamento prolongado cria um desafio extra que exige planejamento logístico e médico.
Antes da bola rolar, equipes chegam sabendo que enfrentarão não apenas rivais, mas também um verão historicamente quente nas cidades-sede da maior Copa da história.
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