- A China não se classificou para a Copa do Mundo de 2026, em pleno potencial geopolítico, mantendo apenas uma participação, em 2002.
- Planos de décadas não se cumpriram: metas de 70 mil campos e 30 milhões de alunos até 2020 não foram atingidas; hoje há cerca de 980 mil jogadores registrados e 40 mil equipes amadoras.
- A Superliga chinesa gastou bilhões desde 2015 com estrelas e técnicos, mas dívidas, prejuízos e crise imobiliária levaram ao fechamento de clubes, incluindo o Guangzhou Evergrande em 2025.
- Houve denúncias de manipulação de resultados, apostas e corrupção; mais de 70 pessoas foram banidas, e Li Tie foi condenado a 20 anos de prisão.
- Especialistas dizem que o fracasso decorre de fatores estruturais, como priorizar estádios e contratações caras sem desenvolver base; o caminho atual aponta para uma liga mais sustentável, com foco na formação local, o que pode levar décadas.
O plano da China para se tornar uma potência mundial do futebol ficou afastado na Copa do Mundo de 2026, que começa na quinta-feira. Mesmo com a segunda maior economia e a maior população, o país não integrou o Mundial que ocorre nos EUA, México e Canadá. A única participação masculina chinesa em Copas ocorreu em 2002, com três derrotas e sem gols marcados.
A estratégia lançada ao longo dos anos buscou transformar o país em gigante do futebol, incluindo metas ambiciosas como abrir dezenas de milhares de campos e envolver milhões de crianças na prática do esporte. Apesar do vault de investimentos, a China não registrou avanço significativo rumo ao retorno à elite mundial do futebol masculino.
Em 2016, a Associação Chinesa de Futebol delineou um programa para consolidar a mudança, mas dados públicos indicam que as metas não foram alcançadas. Atualmente, o país registra cerca de 980 mil jogadores federados e 40 mil equipes amadoras, números que ficam atrás de nações com populações menores. Além disso, o futebol não figura entre os seis esportes mais populares da China, ficando atrás de modalidades como badminton e ciclismo.
Contexto financeiro e institucional
A medida de ampliar a presença chinesa no futebol envolveu aportes bilionários na Superliga Chinesa a partir de 2015, com a contratação de jogadores renomados e treinadores de ponta. A estratégia demandava empréstimos e terrenos via grandes incorporadoras. No entanto, analistas apontam que o objetivo principal seria ampliar influência política do investimento esportivo junto ao governo, e não apenas desenvolver o esporte local.
Muitos clubes operaram no vermelho, e a crise imobiliária recente acelerou o fim de várias equipes. O Guangzhou Evergrande, tradicional destaque, teve seus problemas agravados pela falência da empresa controladora de seu setor e foi impedido de competir em 2025, resultando em extinção. Além disso, casos de manipulação de resultados e corrupção atingiram a liga, com sanções a dezenas de pessoas e clubes.
Tendências e impactos
Especialistas destacam que a condução do projeto esportivo sob diretrizes oficiais, com foco em metas privilegiadas, dificultou a construção de uma base sustentável. Analistas sugerem que a ênfase na formação de base precisa ocorrer de modo gradual, com desenvolvimento de infraestrutura, treinadores qualificados e ligas juvenis estáveis.
A redução do investimento em grandes astros estrangeiros e um ajuste da liga para maior autossuficiência são apontados como caminhos mais viáveis a longo prazo. Experts ressaltam que mudanças estruturais podem levar décadas para refletir na performance da seleção nacional, além de exigirem paciência de gestores e da população.
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