- A Federação Haitiana de Futebol alterou o uniforme da seleção após a FIFA identificar possíveis “mensagens políticas” no design.
- O modelo original trazia a Batalha de Vertières, ocorrida em 1803, e a bandeira nacional.
- A federação contestou a interpretação da FIFA, mas decidiu atender à solicitação e pediu à fornecedora Saeta as alterações antes da Copa.
- A Saeta afirmou que o design era cultural e simbólico, não político, e que passou pelo processo de aprovação da FIFA.
- O Haiti está no Grupo C da Copa do Mundo; estreia contra a Escócia no sábado (13), às 22h, depois enfrenta o Brasil no dia 19, às 21h30, e encerra contra Marrocos no dia 24.
A seleção haitiana de futebol passou por uma alteração em seu uniforme oficial antes da Copa do Mundo, após solicitação da FIFA. A entidade entendeu que o design continha mensagens que poderiam ser interpretadas como políticas. O modelo original trazia referências históricas importantes, como a Batalha de Vertières de 1803, além da bandeira nacional. A mudança foi solicitada pela FIFA, e a Federação Haitiana de Futebol (FHF) pediu que a fornecedora Saeta realizasse as alterações antes do torneio.
De acordo com informações veiculadas pelo jornal The Athletic, um representante da seleção contestou a interpretação da FIFA, descrevendo-a como equivocada. Mesmo assim, a FHF confirmou que seguiu a orientação da organização e não entrou em confronto com a entidade, exigindo a retirada dos elementos considerados políticos.
O uniforme deixará de exibir a imagem da Vertières e de alguns símbolos ligados aos heróis da independência haitiana hasteando a bandeira. A FHF ressaltou o simbolismo histórico da peça retirada, destacando a importância da batalha para a formação do Haiti. Vertières ocorreu em 18 de novembro de 1803, data associada à independência do país.
Contexto histórico e identidade no uniforme
O design original incluía uma faixa inferior nas cores azul e vermelha, remetendo à primeira bandeira haitiana após a independência, proclamada em 1804. A peça também homenageava a Revolução Haitiana liderada por Toussaint Louverture, figura central na luta contra o domínio francês. O movimento é reconhecido pela comunidade internacional como marco da luta contra a escravização.
Reação da fornecedora e marco regulatório
As normas da FIFA proíbem símbolos ou imagens com potencial conotação política em competições internacionais. Com base nisso, a FIFA solicitou a remoção dos elementos históricos do uniforme. Em nota, a Saeta defendeu o conceito original do design, alegando que a proposta era cultural e simbólica, não política, e que passou pelo processo de aprovação da FIFA antes de ser adotada.
Histórico de ajustes em uniformes haitianos
Não é a primeira vez que o Haiti precisa adaptar trajes oficiais por exigência de organizações internacionais. Em Milão-Cortina 2026, o Comitê Olímpico Internacional também solicitou alterações no uniforme da equipe de esqui, cobrindo o rosto de Toussaint Louverture para atender às diretrizes sobre manifestações dos atletas.
Copa do Mundo: agenda do Haiti
O Haiti integra o Grupo C e estreia contra a Escócia neste sábado, às 22h, no horário de Brasília. Em seguida encara o Brasil no dia 19, às 21h30, e fecha a fase de grupos contra Marrocos, no dia 24. O episódio envolvendo o uniforme gera debate sobre identidade nacional, memória histórica e regulamentação esportiva.
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