- Cientista político Jules Boykoff afirma que o governo dos EUA endurece a entrada de participantes da Copa do Mundo de 2026 para desviar a atenção de problemas internos e mirar nas eleições de meio mandato.
- Ele aponta que, segundo ele, os EUA usam sportswashing para melhorar a imagem do esporte e ganhos políticos, contrastando com a ideia de soft power associada ao futebol.
- Boykoff critica a relação entre Gianni Infantino e Donald Trump, argumentando que a FIFA perdeu influência e citando o recebimento do Prêmio da Paz por parte de Trump em 2025.
- O pesquisador associa os altos preços de ingressos e a exclusão de torcedores a um “hipercapitalismo” americano aliado à suposta máquina de ganância da FIFA.
- O jornalista prevê protestos em estádios durante a Copa de 2026 nos EUA e aponta que o esporte pode funcionar como política por outros meios, mantendo incógnitas sobre o desfecho.
O ex-jogador de base dos EUA e professor da Pacific University, Jules Boykoff, afirma em entrevista à Folha que, ao restringir a entrada de estrangeiros na Copa do Mundo de 2026, o governo Trump busca desviar atenções de problemas internos e reforçar medidas de segurança antes das eleições de meio mandato.
Para Boykoff, o uso do esporte para fins políticos, conhecido como sportswashing, seria aplicado pelos EUA para melhorar a imagem externa enquanto lida com questões domésticas. O pesquisador analisa o papel de grandes eventos na percepção de um país sede.
Segundo ele, a situação impõe uma leitura crítica sobre a influência da política na organização do torneio e no comportamento de atores como a Fifa, apontando conflitos entre interesses econômicos, nacionais e esportivos. A entrevista foi realizada em Paris, onde ele está como pesquisador visitante.
Contexto e críticas ao uso político do esporte
Boykoff comenta que a exclusão de atletas e torcedores reflete uma contradição entre o espírito do torneio, que busca unir o mundo, e políticas de imigração rigorosas que dificultam a participação.
O autor de Red Card: a Copa de 2026, sportswashing e a máquina de ganância da Fifa, argumenta que a parceria entre Infantino e Trump reforça uma dinâmica de poder que pode limitar a atuação da Fifa como órgão regulador do torneio.
Ele aponta ainda que a alta de preços de ingressos e a percepção de acesso desigual sinalizam um aspecto econômico que agrava o tema da exclusão, mesmo com ampliação de seleções classificadas para o torneio.
Impactos internos e perspectivas para as eleições
O pesquisador ressalta que a popularidade de Trump está baixa e que questões internacionais podem ocupar espaço central no cenário político interno, influenciando decisões sobre o uso do esporte como palco político.
Questionado sobre a possibilidade de protestos, ele afirma que a Copa funciona como um test drive social, com manifestações previstas em estádios, o que pode alterar percepções públicas sobre a gestão do evento.
Ele reforça que o debate sobre sportswashing não se limita a opiniões externas, mas envolve o público interno, especialmente em momentos de tensão política antes das eleições de novembro.
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