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Ancelotti pode ser exceção: técnico que vence jogos com menos frequência

Apesar de pesquisas indicarem impacto modesto, Ancelotti seria exceção capaz de elevar o desempenho da seleção ao trazer novas experiências estrangeiras

Carlo Ancelotti durante treino da seleção no CT Red Bulls Performance Center, em Morristown, estado de Nova Jersey
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  • A chegada de Carlo Ancelotti à seleção brasileira gerou otimismo entre torcedores e membros do futebol.
  • Pesquisas indicam que, em geral, a qualidade dos jogadores pesa mais do que o treinador, com apenas cerca de 10% dos técnicos tendo efeito positivo estatisticamente significativo.
  • Estudos de várias universidades mostram que a troca de treinador não melhora a pontuação de equipes na Alemanha, França, Espanha e Itália.
  • Existem exceções: treinadores de elite podem aumentar o desempenho acima do esperado, mudando o curso de jogos e temporadas.
  • O fator estrangeiro pode ampliar esse efeito positivo, ao trazer novas experiências, conforme argumenta Soccernomics, citando Wenger no Arsenal.

A chegada de Carlo Ancelotti à seleção brasileira gerou expectativa sobre o impacto técnico no time nacional. O treinador italiano está entre os nomes mais vitoriosos do futebol, com passagens por grandes clubes e cinco títulos de Champions League.

Apesar do otimismo, a ciência aponta que o desempenho de uma equipe depende principalmente da qualidade dos jogadores. Estudos mostram que poucos técnicos conseguem extrair melhora estatística significativa acima do esperado a partir do elenco valorizado.

Pesquisas realizadas em ligas como a inglesa indicam que apenas cerca de 10% dos treinadores apresentam efeito positivo estatisticamente relevante. Em seleções, os resultados são ainda menos diretos, com ajustes diferentes de um clube para a bola rolar.

No futebol inglês, por exemplo, os melhores treinadores costumam acrescentar em média 0,72 ponto por jogo além do esperado, o que, ao longo de uma temporada, pode mudar o equilíbrio entre títulos e posições. Autores como Stefan Szymanski e Simon Kuper destacam que a nacionalidade pode influenciar esse efeito.

Aponte-se ainda que as conclusões variam conforme o ambiente: clubes têm mais liberdade de contratação do que seleções, onde a escolha de jogadores é restrita ao próprio país. No Real Madrid, Ancelotti podia recorrer a reforços de qualquer nacionalidade; na seleção, isso não acontece.

Ainda assim, estudos citados pelos autores sugerem um potencial ganho quando o técnico traz novas experiências ao elenco. O livro Soccernomics, citado na pesquisa, ressalta que a presença de um estrangeiro de alto renome pode ampliar esse efeito.

Ao aplicar esse raciocínio à escolha de Ancelotti para a seleção, a expectativa é de que a experiência internacional do treinador contribua com novas abordagens para o grupo. A menção de Wenger, que chegou ao Arsenal em 1996 com mudanças culturais, é citada como exemplo de possível impacto.

Conclui-se que, embora haja ressalvas sobre a atuação de treinadores em seleções, a combinação entre o repertório de Ancelotti e a diversidade de experiências do elenco pode oferecer ganhos relevantes, desde que os jogadores mantenham o nível técnico necessário.

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