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Copa volta ao México após 40 anos; moradores se sentem excluídos

Copa volta ao México, mas ingressos caros e regras de transmissão criam sensação de exclusão entre torcedores e comunidades menos favorecidas

Eduardo Marin posa para uma foto ao lado de ônibus pintado por ele e seus amigos, com partes nas cores da bandeira do México com o qual atravessaram a Europa para acompanhar a seleção mexicana durante a Copa do Mundo de 2018 na Rússia, em Rostov, Rússia, 25 de junho de 2018. Eduardo Marin/Divulgação via REUTERS
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  • A Copa do Mundo volta ao México pela primeira vez em quarenta anos, mas muitos moradores dizem se sentir excluídos por ingressos caros e regras de transmissão restritivas.
  • O México sediará apenas treze das cento e quatro partidas, com a maior parte disputada nos Estados Unidos; o ingresso da partida de abertura pode chegar a entre US$ 3.000 e US$ 5.000.
  • Assinaturas de TV pagas substituem a televisão aberta de edições anteriores, aumentando o custo para acompanhar os jogos de casa.
  • Bares e restaurantes enfrentam custos de licenças e restrições para transmitir a Copa; alguns acabam exibindo poucas partidas gratuitamente.
  • Críticas às melhorias nas cidades-sede incluem pinturas de axolotlis e muros que bloqueiam a visão de bairros pobres; autoridades regionais não comentaram imediatamente.

A Copa do Mundo retorna ao México após 40 anos, mas boa parte da população local se sente excluída. O torneio, que envolve o México, Estados Unidos e Canadá, tem atraído atenção pelo distanciamento entre o espírito popular e os altos custos para acompanhar as partidas. Muitos torcedores veem o evento como elitizado.

Para Eduardo Marin, nascido em 1986, a memória da última edição no país ainda é forte. Ele relembra partidas marcantes e a viagem que fez à Rússia em 2018 para torcer pelo El Tri. Hoje, Marin não planeja acompanhar a Copa no México, pois os ingressos são considerados inacessíveis e a experiência parece distante do passado.

A atmosfera atual contrasta com a visão de anos anteriores, quando o torcedor comum tinha mais acesso. O custo para ver a estreia do México pode chegar a valores próximos de mil dólares por ingresso, segundo relatos de torcedores e fontes locais. A repressão de regras de licenciamento também é citada como empecilho para bares e espaços públicos.

À margem em casa

O México sediará apenas 13 das 104 partidas, com a maior parte disputada nos Estados Unidos. Em casas de torcedores, o acesso à transmissão ao vivo ficou mais restrito, com muitos dependentes de serviços pagos para acompanhar os jogos. A liderança do torneio aponta que a seleção mexicana continua entre as favoritas, mas o público enfrenta barreiras financeiras.

Nos estádios, a demanda por ingressos elevados se tornou o principal obstáculo. Na Cidade do México, torcedores relatam gastos significativos para assistir à abertura, com estimativas entre US$ 3.000 e US$ 5.000; valores que equivalem a meses de salário para muitos. A FIFA justificou os preços ao comparar com grandes eventos esportivos.

Empresas do setor de alimentação também sentem o impacto. Bares e cantinas enfrentam regras restritivas para exibir jogos e pagar taxas de transmissão, o que eleva o custo operacional. Em alguns locais, promoções e menus passaram por ajustes para cumprir a nova normativa de direitos de transmissão.

A resposta do governo, segundo relatos locais, incluiu a organização de exibições públicas gratuitas em diversas cidades. Ainda assim, o sentimento de exclusão persiste entre torcedores de longa data, que veem a seleção sendo acompanhada por um público mais restrito financeiramente.

Para Marin, a sensação é de que o torneio perdeu parte de sua energia popular. Ele observa que a experiência já não se assemelha à visão que guardava de juventude, quando visitar cidades e estádios fazia parte de uma jornada compartilhada entre fãs.

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