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Pais de Mo Touré contam lutas que abriram caminho ao Socceroos

A trajetória de Mo Touré, de refugiados liberianos a jogador dos Socceroos, evidencia sacrifícios familiares e o papel da imigração no sucesso esportivo

Socceroos striker Mo Touré says he ‘always remembers how things could have been if we weren’t in Australia’. Photograph: Joosep Martinson/FIFA/Getty Images
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  • Amara e Mawa Touré, pais do atacante Mo Touré, fugiram da guerra na Libéria em dezenove e começaram uma longa jornada até a Austrália, passando por Guiné e vivendo com apoio da UNHCR.
  • O casal percorreu dezoito dias a pé até a fronteira com a Guiné, sobrevivendo de frutos silvestres e vegetais, em condições precárias.
  • Mo Touré chegou à Austrália com sete meses de idade, em 2004, e a família se fixou em Croydon, no oeste de Adelaide.
  • Mo e o irmão Al Hassan, além de outros dois refugiados no time australiano — Nestory Irankunda, Awer Mabil e Milos Degenek — integram a geração de Socceroos em evidência durante a semana mundial do refugiado.
  • A família trabalha com a ONG Australia for UNHCR para promover a diversidade cultural e contar a própria história de superação, destacando a importância da oportunidade oferecida pela Austrália.

Em meio aos bastidores de uma Copa do Mundo, a trajetória de Mo Touré revela raízes profundas. Filho de refugiados liberianos, ele representa a convergência entre sobrevivência e sonho esportivo. A história começa na Libéria e chega à Austrália por vias humanitárias.

Amara e Mawa Touré enfrentaram a guerra em 1989 e cruzaram fronteiras a pé até a Guinea. Durante 18 dias de viagem, sobreviveram com frutas silvestras e evitaram contatos perigosos. O que viveram molda a memória que hoje acompanha o filho.

Na Austrália, Mo chegou ainda bebê, com sete meses, e cresceu em Croydon, em Adelaide. A família recebeu apoio de organizações humanitárias, que ajudaram em itens básicos antes de estabelecer a nova vida.

História de vida e futebol

O país tornou-se palco de uma paixão que nasceu cedo. Amara lembra que o futebol era o refúgio e a forma de conquista de respeito. O esporte, segundo ele, foi a base para a integração e o reconhecimento.

Mo Touré, hoje atacante da seleção australiana, veste a camisa verde e dourada com sentimento de liberdade. Para ele, defender os Socceroos simboliza oportunidades que surgiram na nova casa.

Ao lado do irmão Al Hassan e do jovem Nestory Irankunda, Mo integra uma geração de refugiados que ganhou espaço no futebol nacional. Quatro jogadores da equipe valem pelo impacto social de suas histórias.

A família continua envolvida com causas humanitárias. Mo e companheiros ajudam campanhas de divulgação cultural e trabalham com a Australia for UNHCR para apoiar deslocados, recontando o trauma de origem.

No relato de Mo, o sacrifício dos pais fica evidente: em dias de treino, eles enfrentavam frio e trabalho duro para manter a família. A dedicação, segundo ele, moldou a visão de carreira e o compromisso com o país que os acolheu.

Ao final, a história dos Touré reforça a trajetória de muitos atletas que chegam ao auge por meio de trajetórias marcadas por desafios, resiliência e oportunidades oferecidas por uma nação que os recebeu.

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