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Quando a RD Congo era Zaire, ditadura freou cobrança de falta de Rivelino

Sob a ditadura de Mobutu, o Zaire prometeu prêmios aos jogadores da Copa de 1974, mas dinheiro não chegou, enquanto o episódio com Rivelino revelou a tensão política

Seleção brasileira derrotou o país africano por 3 a 0 (Werner OTTO/ullstein bild/Getty Images)
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  • Em 1974, a seleção do Zaire disputou a Copa do Mundo, tornando-se o primeiro país da África Subsaariana a chegar ao torneio, sob o regime de Mobutu Sese Seko.
  • Na partida contra o Brasil, Mwepu Ilunga quebrou a barreira e chutou a cobrança de falta, recebendo cartão amarelo; o ato é hoje visto como proposital por parte do jogador.
  • O contexto político influenciava o time: Mobutu usava o esporte para propaganda, com promessas de casas, carros e prêmios que não chegaram aos atletas.
  • Antes da partida contra a Iugoslávia, o time enfrentou acusações contra o técnico iugoslavo Blagoje Vidinić, e houve boicote discutido por causa das premiações desaparecidas; a equipe entrou em campo e sofreu goleada por nove a zero.
  • Ilunga, que morreu em 2015, afirmou em entrevistas que o chute foi para protestar contra dirigentes que teriam ficado com o dinheiro; outras versões o descrevem como irritação ou nervosismo, e muitos jogadores ficaram sem condições após o torneio.

Na Copa do Mundo de 1974, a seleção do Zaire enfrentou o Brasil na Alemanha Ocidental. Ainda sob o regime de Mobutu, a equipe vivia uma pressão política que contava como parte da preparação para o torneio. Na partida, já vencido o Brasil por 2 a 0, houve uma falta na entrada da área que gerou um episódio inusitado.

Um defensor da barreira interrompeu a cobrança, chutando a bola para longe. O árbitro romeno Nicolae Rainea mostrou o cartão amarelo a Mwepu Ilunga. A cena foi controversa e discutida por décadas, com alegações de motivação política por trás do gesto.

À época, o Zaire vivia sob uma ditadura que pressionava o esporte como propaganda. Mobutu Sese Seko governava desde 1965 e havia rebatizado o país como Zaire em 1971, celebrando a participação mundial como uma vitória pessoal.

Antes da viagem à Alemanha, Mobutu recebeu a equipe na residência presidencial, promovendo promessas de casas, carros e prêmios. O montante prometido não chegou aos jogadores, que também receberam poucas diárias para a estadia.

A seleção tinha boa moral no continente, mas enfrentava pouca experiência internacional. A política do regime limitava transferências para clubes estrangeiros, deixando o elenco com grande parte da carreira no futebol local.

Na derrota por 2 a 0 para a Escócia, o ambiente já era pesado. Dados de gestão interna e acusações de espionagem sobre o técnico iugoslavo Blagoje Vidinic ampliaram a tensão. O boicote discutido antes de jogar contra a Iugoslávia não foi oficializado.

O revés histórico frente aos iugoslavos terminou em derrota humilhante por 9 a 0, uma das maiores goleadas da história das Copas. Rumores sobre uma possível represália oficial moldaram o clima entre jogadores e comitiva.

Diante do desgaste, surgiram relatos de recado de Mobutu caso o placar contra o Brasil ultrapassasse três gols de diferença. Não há confirmação de validade, mas o episódio contribuiu para a leitura histórica do lance de Ilunga.

Ilunga, em entrevistas posteriores, afirmou ter chutado a bola propositalmente. Em relatos diferentes, ele disse ter protestado contra dirigentes que teriam ficado com o dinheiro destinado aos jogadores, ou ter reagido a um momento de irritação ao longo do torneio.

Após a Copa, a maioria dos jogadores retornou sem as benesses prometidas. A vida de várias peças da equipe foi marcada por dificuldades financeiras e pelo afastamento do Estado que as havia exaltado.

Ilunga morreu em 2015, segundo relatos, em meio a reflexões sobre o rumo de sua vida após o futebol. Ele afirmou que, se pudesse voltar ao tempo, optaria pela agricultura em vez da carreira esportiva.

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