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Raízes judaicas do esquema de seleção são alvo de apuração

Exposição em Los Angeles destaca a influência de Béla Guttmann, judeu húngaro que introduziu o 4-2-4 no São Paulo e no Brasil

Béla Guttman sobreviveu ao Holocausto e treinou o time do São Paulo em 1957 (Keystone/Getty Images)
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  • Exposição no Museu do Holocausto de Los Angeles discute Béla Guttmann, húngaro de origem judaica, e a origem do 4-2-4 no Brasil.
  • Guttmann, sobrevivente do Holocausto, treinou o São Paulo entre 1957 e 1958, promovendo mudanças táticas e de treino que impulsionaram o clube.
  • O técnico introduziu o esquema 4-2-4, vindo da Hungria, com atacantes abertos e maior espaço para improviso; o São Paulo foi campeão paulista de 1957 com 53 gols.
  • A vida de Guttmann foi marcada pela fuga da guerra e por uma série de clubes ao redor da Europa; sua família teve perdas durante o conflito.
  • A história é conectada à seleção brasileira, já que Vicente Feola acompanhou as inovações de Guttmann e o 4-2-4 ficou associado ao Brasil na Copa de 1958; hoje Carlo Ancelotti mantém o 4-2-4, segundo a exposição.

A exposição em cartaz no Museu do Holocausto de Los Angeles relembra a ligação entre o Holocausto, o surgimento do futebol de ataque e a seleção brasileira do técnico Carlo Ancelotti. O tema central é Béla Guttmann, treinador húngaro de origem judaica que viveu o período sombrio da Segunda Guerra, refugiou-se no Brasil e treinou o São Paulo entre 1957 e 1958.

Guttmann nasceu em Budapeste, em 1899, e teve passagem pelo futebol europeu como jogador e treinador. Durante a guerra, passou por deslocamentos forçados e por uma fuga que o manteve vivo até o fim do conflito. A exposição contextualiza o peso da experiência dele na formação de estilos táticos que influenciaram o futebol brasileiro.

No São Paulo, Guttmann implementou o 4-2-4, modelo tático desenvolvido na Hungria que abriu espaço para improviso e ataque vertiginoso. O time paulista campeão paulista de 1957 contou com jogadores como Gino Orlando, Zizinho e Canhoteiro, sob a direção que também revolucionou treinos. A saída ocorreu por questões salariais.

Após o período no Brasil, o treinador seguiu atuando na Hungria, Itália e Portugal, sempre mantido por viagens e projetos curtos. O histórico mostrado pela mostra ressalta que a Revolução Húngara e a fuga de muitos atletas criaram um fluxo de técnicos que impactaram o futebol brasileiro.

O legado na seleção brasileira

Ao chegar à seleção, o supervisor Vicente Feola herdou as inovações de Guttmann. Em 1958, a equipe brasileira utilizou o 4-2-4 na Copa da Suécia, levando Pelé, Didi e Garrincha a protagonizarem o estilo conhecido como “jogo bonito”. A curadoria sugere que o desenvolvimento tático brasileiro pode ter ocorrido mais cedo com a permanência de Guttmann na Europa.

A mostra contextualiza ainda a influência de treinadores europeus que migraram no pós-guerra e a forma como suas ideias ganharam o Brasil. A narrativa aponta o impacto do Holocausto na formação de técnicos que moldaram o futebol moderno do país.

Perspectivas e atualidade

A exposição indica que o 4-2-4 voltou a ser referência na prática da seleção brasileira sob o comando de Carlo Ancelotti na Copa de 2026. A cerimônia de abertura e as peças exibidas destacam a linha histórica entre traumas do século XX e o desempenho esportivo contemporâneo.

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