- A CazéTV será a única plataforma no Brasil a transmitir todos os 104 jogos da Copa do Mundo de 2026, quebrando o monopólio da TV linear.
- O Itaú BBA aponta queda da participação da TV tradicional no consumo de vídeo, com previsão de deixar de representar 33% em 2021 para 20% até 2030, enquanto os anúncios digitais devem subir de 50% para 67%.
- Em abril, o YouTube sozinha respondeu por 21,3% da audiência de vídeo no país, com alcance de 144 milhões de usuários; a soma de plataformas de streaming subiu para cerca de 37%, e a TV linear caiu para aproximadamente 63%.
- O estudo destaca que os investimentos em publicidade devem migrar para o digital, impulsionados por transmissões ao vivo, simultâneas e em escala nacional, beneficiando a esportes e o streaming.
- O relatório também discute a alta no valor de direitos de transmissão, a criação de blocos comerciais e o papel da CazéTV como exemplo de monetização digital, indicando que um mercado mais unificado de direitos poderia aumentar o tamanho total disponível, entre R$ sete bilhões e R$ doze bilhões, ante os atuais R$ cinco bilhões e quarenta milhões.
A Itaú BBA divulgou um relatório sobre a Copa do Mundo de 2026, destacando a mutação do consumo de esportes e mídia para o streaming. O estudo analisa o impacto de plataformas digitais no futebol brasileiro e na publicidade.
Segundo o documento, a CazéTV será a única plataforma no Brasil a transmitir todos os 104 jogos da competição, rompendo o tradicional monopólio da TV linear. O enfoque é a mudança de hábitos para conteúdo ao vivo on-line.
O relatório aponta que as verbas publicitárias no Brasil devem crescer nos próximos anos, com o digital ganhando participação expressiva. O Itaú BBA estima queda da fatia da TV para 20% até 2030, diante de 33% em 2021.
A projeção mostra aumento da participação de plataformas de streaming e do YouTube no consumo de vídeo doméstico, enquanto a TV tradicional recua. Em abril, o YouTube concentrou 21,3% da audiência online de vídeo.
No cenário atual, o YouTube tem alcance de cerca de 144 milhões de usuários no Brasil, representando 78,6% dos internautas. Analistas ressaltam que anunciantes estão migrando para plataformas capazes de transmitir eventos ao vivo em escala nacional.
CazéTV, modelo e monetização
O Itaú BBA observa que a CazéTV, comandada pela LiveMode, agregou patrocínios e formatos digitais, ampliando o leque de oportunidades para anunciantes. O canal já garantiu direitos de transmissão além da Copa, como os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026.
O relatório cita o desempenho da audiência da CazéTV, destacando que a Olimpíada de Paris em 2024 alcançou 56 milhões de espectadores. Segundo os analistas, esse formato representa risco para redes de televisão regionais a longo prazo.
O estudo também analisa o papel da LiveMode como operador de mídia especializada, com possibilidade de combinar direitos, produção de conteúdo e distribuição. A CazéTV seria, segundo o Itaú BBA, uma peça-chave na monetização digital.
Relatórios indicam que a CazéTV e o YouTube venderam 11 cotas de patrocínio para a Copa do Mundo, totalizando cerca de 2 bilhões de reais em receita de patrocínio. O valor reforça o potencial de receita do modelo.
Direitos de transmissão e cenários futuros
O Itaú BBA aponta um avanço estrutural no mercado de direitos de transmissão do futebol no Brasil. O valor total dos direitos cresceu de 2,6 bilhões para 5,4 bilhões entre 2019 e 2025.
A formação de blocos comerciais e mudanças regulatórias, como a Lei do Mandante e a Lei das SAF, são citadas como gatilhos para o aumento de investimentos. Plataformas como Amazon Prime Video, Record e YouTube entram como players.
O relatório compara o Brasil com mercados internacionais, destacando a distância de valores como a Premier League. O Itaú BBA aponta que o mercado brasileiro ainda deixa dinheiro na mesa, estimando um potencial de 7,4 bilhões a 12,4 bilhões de reais.
Conclusões do estudo
A análise sustenta que uma liga única de futebol e a profissionalização da venda de direitos seriam caminhos para ampliar o tamanho do mercado. A ideia é reduzir custos e ampliar licitações competitivas no setor de mídia esportiva.
Entre na conversa da comunidade