- Análise aponta que 14 das 16 sedes podem ultrapassar o limiar de 28°C na escala WBGT em tardes de verão, elevando o risco de calor extremo; até nove estádios podem ficar acima desse nível em metade dos dias, e quatro podem chegar a 32°C.
- Em conjunto, 26 de 104 partidas devem ocorrer com WBGT de pelo menos 26°C, levando o FIFPRO a recomendar pausas de resfriamento; cinco jogos podem chegar a 28°C ou mais, condições que sugerem adiamento em alguns casos.
- A FIFA obrigou pausas de hidratação de três minutos aos 22 minutos de cada tempo em todas as partidas, uma medida inédita nas Copas; especialistas defendem limites mais baixos para pausas e adiamento, citando riscos à saúde.
- O torneio reúne cidades com climas variados, incluindo Dallas, Houston, Miami, Kansas City, Filadélfia e Atlanta em alto risco, e Vancouver e área da baía de São Francisco com menor gravidade, além de México, com lacunas de temperatura conforme altitude e localização.
- No Brasil, jogos de estreia e fases seguintes ocorrem em cidades de alto risco de calor (Nova York/Nova Jersey, Filadélfia e Miami), com horários previstos para fim de tarde ou noite para mitigar o calor.
A Copa do Mundo de 2026 enfrenta um novo desafio relacionado ao calor extremo. Estudo aponta que 14 das 16 sedes podem superar o limiar de estresse térmico em tardes de verão, com risco elevado para jogos disputados sob WBGT acima de 28°C. Assim, os índices de calor podem impactar o desempenho dos atletas.
Levantamento adicional indica que 26 das 104 partidas devem ocorrer com WBGT de pelo menos 26°C, configurando um cenário em que o FIFPRO recomenda pausas obrigatórias de resfriamento. Em cinco jogos, o nível pode chegar a 28°C ou mais, sugerindo possível adiamento conforme o protocolo.
A Federação Internacional de Futebol (Fifa) reagiu com pausas obrigatórias de hidratação de três minutos aos 22 minutos de cada tempo em todos os jogos, independentemente do clima. A medida é inédita, mas cientistas consultados alertam para a necessidade de regras ainda mais rígidas.
Um torneio, três climas
Dallas, Houston, Miami, Kansas City, Filadélfia e Atlanta aparecem como principais pontos de maior risco de calor durante a competição. Diversas cidades apresentam combinação de calor e alta umidade, dificultando o resfriamento pelo suor.
Outras sedes, como Vancouver e Los Angeles, aparecem em situação diferente, com ar mais ameno e infraestrutura que reduz o impacto do calor. Já Monterrey e outras praças do norte mexicano aparecem entre as mais severas, com temperaturas que podem superar 40°C.
A organização deslocou parte dos jogos diurnos para estádios com teto retrátil e climatização, enquanto as partidas em ambientes abertos são marcadas para horários noturnos. Cinco estádios contam com cobertura, entre eles Dallas e Los Angeles.
O monitoramento do tempo envolve também riscos de raios: se um relâmpago for detectado próximo aos estádios, o jogo pode ser suspenso por pelo menos 30 minutos. Casos de amistosos preparatórios já mostraram esse protocolo em ação.
Contexto histórico e implicações
A edição de 2026 usa a janela tradicional de junho e julho, diferente do Catar 2022. O aquecimento global elevou os índices de calor desde 1994, quando os EUA sediaram a Copa anterior, aumentando a probabilidade de partidas sob condições extremas.
Historicamente, o calor já forçou mudanças de horários e uso de estratégias para proteger atletas. Em 1994, várias partidas no verão americano foram disputadas sob calor intenso, com relatos públicos de mal-estar entre jogadores.
No atual momento, a diferença entre o patamar de atuação segura e o de risco elevado é pequena: cientistas defendem que medidas adicionais são necessárias para reduzir danos à saúde. A Fifa mantém o esforço de equilíbrio entre disputa esportiva, programação televisiva e segurança.
Brasil em evidência
O calendário coloca o Brasil diante de desafios parecidos: estreia em Nova York/Nova Jersey, seguida de partidas em Filadélfia e Miami. Esses locais apresentam riscos de calor significativos, com estádios sem teto em algumas praças. O caminho até as oitavas envolve jogos de alto cuidado com as condições climáticas.
As opções de contestação passam por horários, infraestrutura e hidratação, mantendo a previsão de jogos no fim de tarde ou à noite. A meta é manter a competitividade sem expor jogadores a níveis de calor que comprometam a saúde.
O debate sobre calendário ideal em torneios de grande escala segue em aberto. Pesquisas reforçam a necessidade de ajustes para além da hidratação, contemplando pausas adicionais, adiantamento de partidas ou uso mais amplo de estádios climatizados, especialmente em eventos com alta demanda mundial.
Entre na conversa da comunidade