- A Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México, teve oito estádios com gramado natural em vez de sintético, com sistemas temporários de drenagem, ventilação e irrigação quando necessário.
- O gramado híbrido une grama natural a fibras sintéticas costuradas, que chegam a até 10% do campo, aumentando estabilidade e resistência sem alterar significativamente a qualidade da grama.
- Pesquisas de universidades como Michigan State University e University of Tennessee ajudaram a definir misturas de sementes, espécies e reforços para suportar até nove partidas em seis semanas.
- A FIFA busca uniformidade no comportamento da bola nos 16 estádios, minimizando a influência do gramado sobre o desempenho das equipes.
- Além da grama, destaque para a tecnologia SOP (Sod Grown on Plastic), presente em 14 dos 16 estádios, e para a variedade NorthBridge ( Bermudas) usada em grandes arenas; produção de gramados costuma levar de 12 a 18 meses.
A Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, traz uma mudança relevante nos gramados: oito estádios com gramado híbrido natural-plus-fibras sintéticas, em vez do puro sintético. A transição envolveu instalações temporárias de drenagem, ventilação e irrigação antes da colocação da grama.
A solução combina grama natural com fibras sintéticas costuradas ao solo, reforçando raízes e reduzindo buracos, sem exceder 10% de fibras no conjunto. O objetivo é oferecer maior durabilidade sem alterar a essência da superfície para o jogo.
Pesquisa e pilotos
A preparação começou há cerca de cinco anos, com equipes de universidades como Michigan State University e University of Tennessee. Estudos testaram espécies, misturas de sementes e sistemas de reforço para sustentar até nove partidas em seis semanas sem perder qualidade.
FIFA também busca uniformidade de desempenho entre os estádios. O programa Quality Pro monitora umidade do solo, dureza, densidade e altura do gramado, visando reduzir a variação entre as arenas.
Gramado híbrido: escolha e espécies
No conjunto de gramados, aparecem dois grupos: Bluegrass de clima temperado e Bermudas adaptadas a climas quentes. Entre as Bermudas está a NorthBridge, usada, por exemplo, no Akron Stadium, no México, uma das sedes.
A grama soma resistência ao pisoteio, retorno rápido após danos e boa tolerância à seca e à salinidade. A escolha busca manter aparência uniforme e facilitar o desempenho técnico das equipes.
Tecnologia e produção
A FIFA também destaca a produção de gramados de padrão internacional, que pode levar de 12 a 18 meses para desenvolver estrutura radicular robusta. Todo gramado é cultivado em fazenda e, depois, instalado no estádio.
A SOP (Sod Grown on Plastic) aparece em 14 dos 16 estádios, incluindo o MetLife Stadium, sede da final. Trata-se de gramado natural cultivado sobre base arenosa com camada impermeável, para melhor drenagem e integridade estrutural.
Inovação brasileira e visão técnica
A tecnologia foi desenvolvida por Chad Price, da Carolina Green, com atuação recente no Brasil pela Itograss, que lançou o Play On Time. O método promove blocos radiculares mais fortes, garantindo drenagem eficiente desde a fazenda até o estádio.
Em síntese, os gramados da Copa de 2026 não são apenas cenário: são parte estratégica do espetáculo, conectando desempenho, segurança e técnica das partidas, sob escrutínio de protocolos internacionais.
*Rodrigo Santos, coordenador do Centro de Gramados Esportivos e Inovação da Itograss.*
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