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Austrália usa seleção com refugiados para desafiar conservadorismo da Fifa e EUA

Seleção australiana, com 15 etnias e quatro ex-refugiados, desafia FIFA e EUA e usa braçadeira arco-íris para defender direitos humanos

Irankunda, comemora gol na vitória da Austrália por 2 a 0 contra a Turquia pela primeira partida da Copa
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  • A seleção da Austrália estreia na Copa do Mundo com o elenco mais diverso e politizado do torneio, reunindo 15 etnias e quatro ex-refugiados, incluindo Nestory Irankunda e Awer Mabil.
  • Doze atletas convocados para a Copa possuem herança africana, ampliando o perfil ativo do time em pautas sociais.
  • Em 2022, o grupo protagonizou o maior protesto da edição anterior, gravando vídeo-manifesto contra a Fifa e o Qatar pela situação de direitos LGBTQIA+ e pelas condições de operários imigrantes (aproximadamente entre quatrocentos e quinhentos óbitos, segundo Hassan al-Thawadi).
  • O capitão e meio-campista Jackson Irvine é símbolo do ativismo, usando braçadeira com as cores do arco-íris e defendendo direitos humanos no futebol em clubes europeus.
  • As cobranças vão além do Qatar: Irvine criticou queda de direitos civis de mulheres nos Estados Unidos, sede parcial da Copa de 2026, enquanto Mabil, sobrevivente de campo de refugiados no Quênia, reforçou o compromisso da equipe com minorias perseguidas.

A seleção australiana desembarcou na Copa do Mundo com o elenco mais diverso e politizado do torneio. Vinte e seis jogadores foram chamados, com 15 etnias representadas e quatro ex-refugiados de guerras africanas. O grupo já provocou a Fifa com um vídeo-manifesto e critica ações nos EUA, sede do campeonato, além de defender direitos da comunidade LGBTQIA+.

O time tem no meio-campo Jackson Irvine um de seus símbolos de ativismo. Ele costuma usar a braçadeira com as cores do arco-íris, inclusive em clubes europeus, e atua como porta-voz de direitos humanos no futebol mundial. Irvine também já abriu debates sobre linguagem homofóbica no esporte.

Entre os convocados, quatro ex-refugiados compõem o grupo. Awer Mabil, nascido em campo de refugiados no Quênia, reforça a mensagem de apoio a minorias perseguidas. Nestory Irankunda chegou em dobradinha com o tema de inclusão e diversidade.

As cobranças do elenco já ultrapassaram fronteiras. Em 2022, 16 atletas gravaram um vídeo-manifesto cobrando a FIFA e o Catar sobre tratamento a minorias LGBTQIA+ e sobre trabalhadores imigrantes na construção dos estádios. Estima-se entre 400 e 500 mortes de operários nos preparativos.

O discurso também aponta para críticas aos Estados Unidos, em meio à preparação para a Copa de 2026. Irvine questionou, em 2022, a perda de direitos civis de mulheres naquele país, destacando que a defesa de direitos se aplica a todas as comunidades.

A atuação do time é construída com relatos de sobreviventes de guerras civis. Mabil reforçou que o papel da equipe é abraçar refugiados e minorias, enfatizando que o grupo está ao lado de quem está deslocado.

Diversidade e ativismo

A presença de jogadores com passado de conflito e a pressão por direitos civis marcam a participação australiana neste torneio. O momento reforça o papel político do futebol como espaço de defesa de direitos humanos.

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