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Laços Brasil-Haiti chegam à Copa

Duelo na Copa evidencia o legado brasileiro no Haiti, com o projeto Pérolas Negras moldando jovens atletas e fortalecendo laços além do campo

Quatro jogadores escalados para representar o Haiti na Copa passaram por projeto social brasileiro
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  • Brasil e Haiti têm uma relação marcada por cooperação humanitária, migração e projetos esportivos após o terremoto de 2010, que se estende até os gramados.
  • A Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, terá Brasil e Haiti duelar na segunda rodada em 19 de junho.
  • O projeto Pérolas Negras, criado pela ONG Viva Rio, conectou Haiti e Brasil pelo futebol e chegou a formar jogadores haitianos que atuaram no Brasil e disputaram a Copinha em 2016 e 2017.
  • Entre os atletas que passaram pelo Pérolas Negras estão Danley Jean Jacques, Josué Duverger, Carlen Arcus e Derrick Etienne, que foram convocados para a Copa do Mundo pelo Haiti.
  • A presença brasileira no Haiti — Ministério das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti e ações de ajuda — ampliou a integração entre os dois países, incluindo a imigração haitiana para o Brasil, que soma mais de 206 mil entradas desde 2010.

Os laços entre Brasil e Haiti ganham contorno na Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. O duelo entre Brasil e Haiti ocorre nesta sexta-feira (19/06), na segunda rodada, e carrega uma trajetória que vai além do futebol. A relação entre os dois países cresceu a partir de ações humanitárias e migratórias iniciadas após o terremoto de 2010.

Ao longo de duas décadas, projetos sociais e ações de cooperação deram origem a vínculos que também chegam aos gramados. O Pérolas Negras, criado pela ONG Viva Rio, reuniu jovens haitianos em programas no Haiti e no Brasil, abrindo caminhos para o futebol como ponte entre as comunidades. Várias crianças e adolescentes passaram pelo projeto.

Quatro jogadores haitianos convocados para a Copa participaram do Pérolas Negras: Danley Jean Jacques, que atua no Philadelphia Union, Josué Duverger, Carlen Arcus e Derrick Etienne. Eles integram a seleção que enfrentará o Brasil, sob a orientação de técnicos e com apoio de uma rede de clubes e treinadores formados no Brasil.

O envolvimento brasileiro remonta à presença da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) e aos esforços de reconstrução após o abalo de 2010. A relação se consolidou por meio de cooperação humanitária, políticas migratórias e iniciativas culturais ligadas ao futebol.

Legado e impacto

Para pesquisadores, o futebol funciona como símbolo de uma relação histórica entre os dois países, marcada pela cooperação e por fluxos migratórios. A presença haitiana no Brasil se tornou uma das maiores ondas migratórias da década, sempre permeada por ganhos, mas também por desafios de integração e discriminação.

O centro de treinamento mantido no Haiti, que ergueu-se a partir do trabalho de rua do Pérolas Negras, permanece ativo, apesar de dificuldades. A infraestrutura enfrenta limitações, mas a memória do programa influencia o ambiente esportivo local e reforça vínculos entre comunidades.

Segundo especialistas, as raízes do atual cenário haitiano passam por instituições frágeis, governança e desigualdade. A atuação da Minustah é tema de debate entre estudiosos, com avanços e carências ainda presentes no país. A relação Brasil-Haiti, no entanto, permanece marcada pela cooperação e pelo intercâmbio.

Para o observador Kai Michael Kenkel, a relação vai além do feito esportivo. A participação de atletas haitianos no Brasil, após a crise, ampliou vínculos sociais, acadêmicos e laborais, fortalecendo a presença do Haiti no cenário brasileiro.

O confronto desta sexta-feira representa, portanto, mais do que um jogo. Ele sintetiza uma trajetória de cooperação, solidariedade e intercâmbio que começou há anos e que continua moldando identidades, oportunidades e histórias para ambos os lados.

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