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Trauma e esperança na rara participação do Haiti na Copa do Mundo

A participação histórica do Haiti na Copa do Mundo traz esperança em meio à violência e aponta o futebol como força de coesão social

Um torcedor do Haiti comemora durante uma partida de aquecimento da Copa do Mundo
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  • O Haiti participa pela segunda vez de uma Copa do Mundo masculina, pela primeira vez em cinquenta e dois anos, integrando o Grupo C ao lado de Escócia e Marrocos, e enfrentando o Brasil na próxima partida.
  • Em 2004, o Brasil jogou um amistoso no Haiti, vencendo por 6 a 0, evento que ficou marcado pela atmosfera de paz na capital Porto Príncipe, atingida por violência.
  • O país vive sob crise humanitária com domínio de gangues e energia elétrica escassa, o que torna acompanhar a Copa do Mundo difícil para a população.
  • O time reúne atletas de quinze países, com 16 jogadores nascidos fora do Haiti; Woodensky Pierre é o único atleta que atua no futebol haitiano, enquanto Duckens Nazon é o artilheiro histórico da seleção.
  • Futebol é visto pelos haitianos como mote de esperança e de possível reconciliação social, com a diáspora apoiando a equipe e iniciativas locais para levar televisores e energia solar para assistir aos jogos.

O Haiti está pela segunda vez na Copa do Mundo masculina. A participação ocorre 52 anos após a última vez em que o país disputou o torneio, em 1974. A expectativa mescla orgulho esportivo e memória de conflitos que marcaram a nação caribenha.

Em 2004, o Haiti recebeu o Brasil para um amistoso que parou Porto Príncipe. A partida, organizada pela ONU, contou com milhares nas ruas, bandeiras e cores verde e amarelo. A frente de cena era de paz, em meio à tensão vivida no país.

A presença haitiana na Copa é histórica, mas a violência persistente molda o cenário. O Haiti disputa o Grupo C com Escócia e Marrocos, enquanto o Brasil encara o país pela primeira vez na competição desde 1974.

Contexto social e histórico

O Haiti vive sob controle higienizado por forças de gangues, com crise humanitária agravada por desastres naturais. O país não recebe partidas em casa há cinco anos, e a seleção depende de jogos longe do território.

O técnico Sébastien Migné comanda uma equipe majoritariamente formada por jogadores nascidos no exterior. Do elenco de 26, 16 nasceram fora do Haiti, distribuídos por cinco países.

Formação da equipe e desafios de adaptação

Woodensky Pierre, volante criado na favela de Cité Soleil, é o único jogador do Haiti atuando no futebol doméstico. Ele chegou ao time após avaliação por vídeos na internet, sem nunca ter jogado no país diante de seu treinador.

O atacante Duckens Nazon, destaque histórico, soma 44 gols em 80 partidas. Nazon reforça a ideia de que vestir a camisa haitiana é carregar as esperanças de uma nação.

Hannes Delcroix, defensor que nasceu no Haiti e foi criado na Bélgica, optou pela equipe haitiana em 2025. A decisão refletiu desejo de reconexão com a cultura local e com o idioma criolo, algo que ele busca aprender

Copa do Mundo de 2026

As ruas do Haiti estão mais organizadas para assistir aos jogos, com iniciativas locais distribuindo kits de torcedores com energia solar para contornar a escassez de eletricidade. A torcida haitiana deve acompanhar a disputa no Brasil e diante de outros rivais.

Para a população haitiana no exterior, a Copa é ponto de encontro com a identidade nacional. Em Miami, no estado da Flórida, a comunidade haitiana lotou o Nu Stadium no amistoso contra o Peru.

Perspectivas e legado

A esperança vai além do resultado. Há desejo de que o futebol ofereça uma pausa à violência histórica e gere um legado de coesão e orgulho. Os jogadores destacam o papel da nação como presença marcante no cenário esportivo mundial.

A história do Haiti na Copa é também de resiliência: a seleção depende da força da diáspora, do apoio da oposição e da fé de uma população que, mesmo diante da crise, busca novo impulso por meio do esporte.

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