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Futebol brasileiro: por que a liderança do jogo ainda não é feminina

Apesar do avanço, apenas uma mulher preside clubes entre quarenta avaliados, evidenciando concentração de poder e a necessidade de reformar estruturas de liderança no futebol brasileiro

Presidente do Palmeiras, Leila Pereira é exceção em um futebol ainda comandado majoritariamente por homens
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  • Estudo de 2024 aponta forte desigualdade: de 117 cargos estratégicos nos clubes da Série A e B, 116 eram ocupados por homens, e apenas uma mulher presidia um clube (Leila Pereira, do Palmeiras), entre 40 analisados.
  • A liderança no futebol vai além de quem entra em campo: envolve quem define regras, recursos e a arquitetura institucional do esporte.
  • O futebol feminino no Brasil foi proibido em 1941 pelo decreto-lei 3.199 e só passou a ser regulamentado em 1983, abrindo caminho para sua institucionalização.
  • Marta Vieira da Silva, seis vezes melhor do mundo, mostra que o talento existe, mas o acesso a estruturas de decisão e reconhecimento ainda é limitado.
  • Estudo de 2025 de Júlia Barreira aponta avanços entre 2019 e 2023 com mais equipes e visibilidade, mas o crescimento não foi acompanhado por mudanças proporcionais na liderança; destaca a necessidade de reorganizar estruturas para ampliar a participação feminina, especialmente com a Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil.

O futebol brasileiro ainda apresenta desigualdade de gênero nas estruturas que definem os rumos do esporte. Mesmo com avanços, a participação de mulheres em cargos estratégicos continua baixa, revelando uma concentração de poder masculino.

Dados de 2024 do portal UOL Esporte apontam assimetria: entre 117 cargos estratégicos em clubes da Série A e B, 116 eram ocupados por homens. Em 40 clubes analisados, apenas uma presidente era mulher, Leila Pereira, do Palmeiras.

Essa concentração vai além do campo. A liderança do jogo envolve afastar regras, distribuir recursos e organizar a arquitetura institucional do futebol, o que impacta políticas, investimentos e desenvolvimento das atletas.

A história ajuda a entender o cenário. O futebol feminino foi proibido no Brasil em 1941, pelo decreto-lei 3.199, durante o governo Vargas, por mais de quatro décadas. A prática foi regulamentada apenas em 1983, abrindo espaço institucional.

Neste contexto, Marta Vieira da Silva, seis vezes melhor do mundo segundo a FIFA e maior artilheira de Mundiais, ilustra o talento presente. Contudo, sua trajetória evidencia barreiras de acesso às estruturas de decisão e reconhecimento.

Estudo de 2025, conduzido por Júlia Barreira e colegas, mostra avanços: políticas da CBF e da Conmebol ampliaram o futebol feminino entre 2019 e 2023, com mais equipes e visibilidade. Ainda assim, o crescimento não ocorreu com a mesma velocidade na liderança.

O documento aponta que muitas equipes criam times femininos para atender a regulamentos, sem investimento estável ou profissionalização abrangente. Assim, ampliar a participação não significa democratizar o poder de decisão.

A importância da próxima Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, amplia o debate: há expansão global, mas também desafio de governança e de financiamento para sustentar o crescimento. A discussão não é apenas sobre jogadoras, e sim sobre quem manda no jogo.

A conclusão não é de ausência de mulheres no futebol, mas de concentração de poder. A transformação necessária passa pela reestruturação de clubes, federações, conselhos e comissões técnicas, para que haja participação efetiva e decisão compartilhada.

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