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O que um país deve fazer para vencer a Copa do Mundo

Riqueza, população, altura e geografia ajudam a explicar o desempenho; imigração e diversidade de talentos ampliam as chances

Messi, da tricampeã em Copas Argentina, e Mbappé, da bicampeã França, disputam a bola na final da Copa do Mundo de 2022
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  • Um estudo com base nas classificações Elo mostra que riqueza, população, altura média e geografia explicam cerca de 70% da variação entre seleções, mas nenhum fator isolado garante o sucesso.
  • Países ricos investem em treino, instalações e base de jovens, mas o desempenho não é automático; EUA e algumas monarquias do Golfo ilustram esse descompasso.
  • O Japão é apresentado como caso de sucesso de longo prazo, com reforma da liga desde 1992 e estratégia de base que elevou o nível técnico, inclusive nas últimas Copas.
  • A migração de talentos aparece como caminho rápido para equipes emergentes, com jogadores nascidos no exterior compondo grandes elencos (Senegal, Curaçao, Cabo Verde, entre outros).
  • A “diversidade ancestral” em elencos bem-sucedidos está associada a melhores desempenhos e a mudanças positivas na percepção de imigração, conforme estudos citados.

Desde 1930, mais de 80 países participaram de Copas do Mundo; apenas oito ergueram o troféu. Qual é o segredo do sucesso no futebol global, tema que ganha novos contornos a cada edição?

Pesquisas de referência indicam que o desempenho das seleções, medido por rankings Elo, depende de várias variáveis. Economia, demografia, altura média e geografia aparecem entre os fatores mais influentes para explicar diferenças entre países.

Os resultados mostram que riqueza, população, altura e contexto geográfico respondem por cerca de 70% da variação de desempenho entre nações. Ainda assim, nenhum fator isolado garante vitória ou eliminação precoce.

Estados Unidos, por exemplo, são ricos, mas investem majoritariamente em outras modalidades. Monarquias do Golfo também detêm recursos, porém costumam ter desempenho abaixo do esperado no futebol.

O QUE INFLUENCIA O RITMO DO SUCESSO

O tamanho da população favorece o aproveitamento de talentos, mas não é garantia de classificação. China e Índia, com mais de um bilhão de pessoas, tiveram desempenhos distintos, com apenas a China se classificando para uma Copa.

A altura média dos homens também aparece como variável, com a pesquisa sugerindo uma marca em torno de 1,81 m para jogadores não goleiros. Distâncias em relação a esse patamar podem reduzir o desempenho.

A geografia e a cultura esportiva são apontadas como as mais resistentes a mudanças políticas. Regiões com ligas fortes, como Europa, costumam atrair talentos e investimentos, ampliando o ciclo de sucesso.

O CASO DO JAPÃO

O Japão é citado como exemplo de melhoria contínua. Antes de 1998, não havia participações constantes, mas desde então nunca ficou de fora. No Qatar, derrotou adversários tradicionais, apontando para resultados expressivos.

A estratégia japonesa, adotada desde 1992, transformou a liga amadora e criou um plano de desenvolvimento com metas de longo prazo. Clubes são obrigados a manter categorias de base e a trabalhar com determinados perfis de atletas.

Contrasta com políticas de alguns países que tentam cultivar talentos por meio de um esforço centralizado e financiado, sem foco suficiente na base local, conforme avaliações de especialistas.

IMPORTADOS OU NATURALIZADOS

Diversas seleções expandem seus elencos com jogadores nascidos no exterior. No Senegal, por exemplo, metade dos atletas da Copa vêm de migrantes estabelecidos na França. Em Curaçao e Cabo Verde, grande parte do elenco nasceu fora.

Desde 1994, a parcela de jogadores que atuam por países diferentes do nascimento aumentou bastante. Modelos de migração elevam a qualidade de times que conseguem avançar mais nas fases finais.

Alguns casos extremos ilustram o efeito: o Qatar já naturalizou jogadores, e a Espanha tem representantes de ascendência diversa em seu elenco, destacando a emergência de talentos multiculturais.

DIVERSIDADE E RESULTADOS

Estudos recentes associam maior diversidade étnica e de talentos a melhores resultados em campo. A Itália, campeã histórica, desperta debate sobre regras de cidadania que impactam a formação de equipes.

Enquanto vitórias podem ampliar o apoio à imigração, derrotas costumam intensificar críticas. A complexa relação entre migração, desempenho esportivo e percepção pública segue em debate entre especialistas.

Texto originalmente publicado pelo The Economist, com tradução e adaptação para o contexto da pesquisa, destacando a ligação entre riqueza, migração e desempenho esportivo no futebol internacional.

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