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Mercado brasileiro de camisas falsas de Amarelinha pirata cresce

Apreensão de mais de 965,5 mil camisas falsas revela mercado bilionário, com valor estimado em R$ 50 milhões e tributos não recolhidos de R$ 39 milhões

No último dia 10, a Polícia Civil do Rio de Janeiro fechou uma fábrica clandestina que fazia confecção ilegal de camisas da seleção brasileira, no município de São João do Meriti. (Foto: Divulgação/Polícia Civil do RJ)
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  • A Receita Federal aponta que, até maio, há amostragem de mais de 965,5 mil camisas com possível violação de direitos de propriedade intelectual, com origem majoritariamente externa.
  • O valor de mercado dessas peças na amostra fica em cerca de R$ 50 milhões, e o prejuízo em tributos não recolhidos chega a R$ 39 milhões.
  • A Ápice estima que, em 2025, o Brasil consumiu 225,1 milhões de produtos esportivos não originais, aumento de 29,8% frente a 2023, representando 34% do mercado esportivo.
  • No recorte de camisas de futebol, foram 18,1 milhões de peças falsificadas em 2025, correspondendo a 30% do mercado e a um prejuízo potencial de R$ 3,6 bilhões.
  • O comércio digital já responde por 41% das camisas de futebol falsificadas em 2025, e prevê-se que, em 2026, o online seja o principal canal de escoamento desse produto.

A camisa falsa da seleção brasileira aparece como peça central de um mercado de pirataria nacional ligado à Copa do Mundo. Dados oficiais indicam que as apreensões não formam ainda um balanço nacional específico, mas apontam um volume expressivo de camisas com possível violação de propriedade intelectual. Os carregamentos investigados passaram pelos portos de Santos, Rio de Janeiro, Boa Vista e São Paulo.

A Receita Federal já contabiliza uma amostra de mais de 965,5 mil peças suspeitas, com valor estimado de mercado de cerca de 50 milhões de reais. O montante de tributos que deixariam de ser recolhidos nesse recorte alcança 39 milhões de reais. Fiscalizações seguem como rotina, com especial atenção a itens ligados a grandes eventos.

A origem dessas camisas é majoritariamente externa, associada a contrabando e descaminho. Em algumas operações, as peças foram ocultadas entre outros produtos; em outras, os responsáveis não tentaram esconder a procedência. O canal de entrada varia conforme o caso.

Dimensionamento do problema

Estudo da Ápice aponta que, em 2025, o Brasil consumiu 225,1 milhões de produtos esportivos não originais, alta de 29,8% ante 2023. A pirataria corresponde a 34% do mercado esportivo, com prejuízo potencial de 31,8 bilhões de reais e 7,4 bilhões em impostos não recolhidos.

Entre camisas de futebol, a estimativa é de 18,1 milhões de peças falsificadas em 2025, representando 30% do segmento e prejuízo de 3,6 bilhões de reais. A pesquisa não separa tipos de camisa dentro do futebol, incluindo itens de seleções, clubes e times estrangeiros.

Caminhos do comércio e custo da legalidade

O diretor-executivo da Ápice destaca que a Copa amplia o interesse por camisas de seleções, ainda sem estimativa fechada de impacto em 2026. O efeito envolve substituição de consumo entre camisas de clubes e seleções, além de aumento no consumo durante o Mundial.

O preço aparece como fator decisivo para consumidores. Em 2025, 69% dos compradores citaram o custo mais baixo como motivação para adquirir produto pirata. O custo Brasil — tributos, burocracia e encargos — é citado como parte relevante para a diferença de preço entre itens oficiais e não originais.

O cenário sugere que o problema envolve mais do que importação irregular: também há relatos sobre sonegação, empresas de fachada e redes criminosas associadas à pirataria. A Receita ressalta que combater a falsificação protege toda a cadeia legal, a arrecadação e empregos formais.

Canal de distribuição e medidas

A cadeia por trás da peça falsa evoluiu para além do ambulante de rua. O comércio digital ganhou espaço: em 2025, 41% das camisas de futebol falsificadas foram vendidas por canais online. A expectativa é de que o online se torne o principal canal de escoamento, com pequenas encomendas atingindo marketplaces e redes sociais.

Especialistas defendem maior responsabilização de plataformas digitais, identificação de anúncios ilegais e uso de inteligência artificial para coibir ofertas. A ideia é que marcas, plataformas e governo atuem de forma coordenada, buscando reduzir a disponibilidade de produtos piratas.

Desfecho da fiscalização

Além das ações, a Receita informa que camisas apreendidas são, quando possível, descaracterizadas para retirada de marcas. Se isso não for viável, a mercadoria é destruída. A distribuição ilegal não se resume a uma marca específica, atingindo toda a cadeia que atua dentro da lei.

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