- A Copa do Mundo de 2026 é realizada no Canadá, nos Estados Unidos e no México, e as narradoras ganham espaço em uma transmissão historicamente dominada por homens.
- A imprensa brasileira tem marcas históricas, como Rádio Mulher (1971–1976), que levou equipes inteiras apenas de mulheres a narrar esportes.
- Nos anos noventa, a jornalista Luciana Mariano tornou-se a primeira mulher a narrar futebol na televisão brasileira; em 2024 atingiu mil jogos narrados.
- Em 2014, Renata Silveira tornou-se a primeira a narrar uma Copa do Mundo na Rádio Globo; em 2022, a primeira a narrar na TV aberta; em 2026, a primeira brasileira a narrar um Mundial diretamente do estádio na televisão aberta.
- Hoje, novas vozes ganham espaço, como Natalia Lara, Letícia Macedo e Isabelly Morais, que destacam o avanço, os desafios e o debate sobre gênero na narração esportiva.
A Copa do Mundo de 2026, realizada no Canadá, Estados Unidos e México, traz mudanças na narração esportiva ao ampliar a participação de mulheres na cobertura do torneio. A presença feminina na transmissão ainda é limitada, mas cresce de forma gradual e constante.
Entre as dedicadas a abrir espaço para novas vozes, destacam-se narradoras que atuam em rádios, televisão e plataformas digitais. Algumas já entraram para a história ao conduzir partidas em diferentes momentos da competição.
Pioneiras da narração
A trajetória começa na Rádio Mulher, criada em São Paulo nos anos 70. Em 1971, a emissora reuniu uma equipe apenas feminina para narrar esportes, enfrentando resistência, mas conquistando respeito de atletas e dirigentes. O projeto durou até 1976.
Décadas depois, surgiram novas referências. Luciana Mariano tornou-se, em 1990, a primeira mulher a narrar futebol na televisão brasileira e, em 2024, atingiu mil jogos narrados. Seu legado reforça a evolução gradual do lugar feminino no meio.
Vozes em evidência hoje
Renata Silveira consolidou a presença feminina na transmissão de grandes eventos. Em 2014, foi a primeira mulher a narrar uma Copa do Mundo pela Rádio Globo, após vencer o concurso Garota da Voz. Em 2022, narrou pela primeira vez em TV aberta brasileira. Em 2026, narra diretamente do estádio para a TV aberta, na partida Bélgica x Egito.
Isabelly Morais, escalada pelo sportv, evidencia os desafios da crítica ao feminino no setor. Em entrevista à Vogue Brasil, comenta que a desconfiança ocorre de forma estrutural e que a pressão por perfeição é constante para as narradoras. Formada pela UFMG, tornou-se referência ao narrar no rádio aos 20 anos.
Natalia Lara, também do time do sportv, destaca que a presença feminina é sujeita à análise constante, seja pela voz, pela aparência ou pela merecida legitimidade. Ela afirma que a resposta está na qualidade da narração e no protagonismo do jogo.
Letícia Macedo, revelada pela CazéTV, foi a narradora mais jovem a comandar jogo de Copa do Mundo feminina em 2023. Aos 19 anos, hoje narra para a Flashscore na Copa 2026, fortalecendo uma geração que já nasce com novas possibilidades para contar histórias do futebol.
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