- Em agosto do ano passado, o Fifpro (sindicato internacional de jogadores) e pesquisadores pediram à Fifa que revisasse diretrizes sobre calor extremo para proteger saúde e desempenho.
- Durante a Copa, as pausas obrigatórias para hidratação de três minutos cada uma geraram controvérsia entre treinadores, jogadores e torcedores.
- Críticos afirmam que a Fifa ignorou representantes dos atletas e cientistas ao adotar as pausas de hidratação.
- Especialistas defendem limites de calor mais baixos que o atual WBGT de 32°C e pausas mais longas (cinco a seis minutos), além de melhorias nos vestiários e horários de jogos.
- Há recomendações de adiamento ou atraso de partidas quando o WBGT passa de 26°C (ou temperatura acima de 30°C) e de 28°C (ou temperatura acima de 36°C), conforme orientação de estudos e carta aberta.
Em agosto do ano passado, o Fifpro, sindicato internacional de jogadores, apresentou resultados de estudo sobre como o calor extremo afeta atletas, elaborado com o colega português e a federação de Portugal. O texto reforçou, à Fifa, a necessidade de alterar diretrizes para proteger saúde e desempenho dos jogadores.
Na época, 21 especialistas de várias áreas publicaram uma carta aberta à Fifa, dizendo que as regras de calor eram inadequadas e colocavam em risco atletas do Mundial. O grupo apontou que as diretrizes deveriam ser revistas com base em evidências científicas atualizadas.
Durante a Copa, foram instituídas duas pausas obrigatórias para hidratação de três minutos cada, gerando controvérsia entre treinadores, jogadores e torcidas. A medida foi defendida pela Fifa como parte de um calendário que busca equilíbrio entre logística, descanso das equipes e alcance global.
Entendimento técnico e críticas de especialistas
Especialistas defendem que o parâmetro utilizado pela Fifa, com base no Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (WBGT) acima de 32°C, é inadequado. Eles sugerem que pausas deveriam ocorrer com WBGT em patamares menores, como 26°C ou 28°C, para oferecer proteção eficaz.
Outro ponto apontado é a duração das pausas, que deveria superar três minutos para melhorar a recuperação dos jogadores. Além disso, defendem que vestiários tenham resfriamento adequado e que jogos não sejam marcados em horários de calor intenso, como no fim da tarde em certas cidades.
A carta de especialistas também critica a dependência de padrões internacionais sem considerar condições locais, como temperatura ambiente, umidade e radiação solar. Volta-se a tratativas para que decisões sejam baseadas em dados reais de cada sede.
Debates sobre impactos e diretrizes
A discussão envolve ainda a relação do esporte com patrocínios e com a indústria de combustíveis fósseis, conforme sinalizam alguns signatários. O debate aponta que a saúde dos jogadores deve prevalecer sobre ajustes puramente comerciais ou logísticos.
A Fifpro cita, em apoio, um artigo científico de 2023 assinado por médicos da entidade, que recomenda pausas com WBGT acima de 26°C ou temperatura acima de 30°C, e atraso de partidas com WBGT acima de 28°C ou temperatura acima de 36°C. O objetivo é reduzir riscos durante jogos.
A Fifa, por sua vez, afirma que o calendário foi desenhado para minimizar deslocamentos, ampliar descanso entre partidas e facilitar a audiência global. A entidade aponta que a decisão envolveu análises técnicas e debates entre áreas médicas, de transmissão e venda de ingressos, com foco na segurança e no desempenho.
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