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Raí critica impactos das apostas: efeito devastador na sociedade brasileira

Raí afirma que as apostas online devastam a sociedade brasileira e pedem regulamentação, conectando futebol, mídia e impacto econômico

Raí, à esquerda, ao lado de Romário em jogo para as eliminatórias da Copa de 1994
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  • Raí, aos 61 anos, fala sobre o impacto devastador das bets na sociedade brasileira e defende regulamentação mais rígida do setor.
  • Como embaixador do Paris Futebol Clube, ajudou a atrair investidores e colocou o time da segunda divisão na mira do grupo Arnault, da LVMH.
  • À frente da Gol de Letra (27 anos), contribui para educação e esporte com ações sociais; junto à Atletas pelo Brasil, ampliam verbas de incentivo fiscal ao esporte.
  • Comenta a fase da Seleção sob o comando de Ancelotti, destacando a necessidade de coesão do grupo e comparação com a atuação de times europeus de alto rendimento.
  • Revela uma “frustração amorosa” com a Seleção de 1994, que considera ter vivido um auge interrompido, apesar do título mundial conquistado.

Raí, aos 61 anos, é personagem central de uma conversa marcada pela Copa do Mundo e por temas que vão além do campo. Em entrevista publicada na véspera de Brasil x Escócia, ele analisa a Seleção sob Jorge Ancelotti, o impacto das bets no país e detalhes sobre projetos fora das quatro linhas. A conversa também revê a vida no Paris FC e a relação com a Seleção de 1994.

O ex-meia, campeão mundial em 1994, está à frente da Gol de Letra há 27 anos. O trabalho social envolve educação, esporte e cultura para jovens de comunidades vulneráveis, com atuação também em políticas públicas e cinema por meio da Cinesala, espaço reaberto em Pinheiros em parceria com Paulo Velasco.

Raí atua hoje como embaixador do Paris Futebol Clube, tendo contribuído para aproximar investidores e elevar o clube da segunda divisão a uma vitrine de interesse de grandes grupos, incluindo a família Arnault, da LVMH. O objetivo, segundo ele, foi transformar o Paris FC em referência regional.

Bets e o papel do esporte

A conversa aborda o crescimento das apostas online no Brasil, apontando impactos sociais e endividamento familiar. Raí ressalta a necessidade de regulamentação e fiscalização mais rigorosas, citando comparação com a Europa e destacando o papel de entidades públicas e privadas no controle do setor.

Ele também comenta a relação entre esportes, mídia e apostas, afirmando que recebeu propostas de patrocínio ligadas a esse universo e que optou por não fechar com campanhas prohibitionistas, por questionamentos sobre legalidade e regulação.

Paris FC e impacto internacional

Raí descreve a motivação de retomar a relação com a França e ingressar no Paris FC durante o período em que concluiu um mestrado na Sciences Po. O executivo destaca a observação de que Paris, com um ecossistema formador de talentos, oferecia potencial de crescimento para o clube.

Três anos após a entrada como embaixador, o Paris FC foi vendido à família Arnault, da LVMH, o que, na visão de Raí, confirma o acerto de ter atraído investidores quando o time era o 17º da segunda divisão. O empresário diz ter visto futuro onde outros não viam.

Trajetória social e gestão esportiva

A Gol de Letra já impactou mais de 40 mil crianças e jovens, disseminando metodologias que conectam esporte e educação. A Atletas pelo Brasil, coalizão com nomes como Ana Moser, Lars Grael e Flávio Canto, atua para ampliar o financiamento do esporte como direito social.

O ex-jogador também retrata a passagem pelo São Paulo, destacando a instabilidade política como fator de dificuldade na gestão de clubes. Raí enfatiza a importância de modelos profissionais, com responsabilidade administrativa e organização similar aos sistemas europeus.

Seleção e carreira com tom crítico

Raí comenta a evolução do futebol brasileiro, destacando que o talento precisa de time coeso para se traduzir em desempenho. Ele aponta que a chegada de Ancelotti demorou para consolidar uma identidade, e compara o processo com experiências de clubes estrangeiros que alcançaram sucesso com planejamento.

Sobre o tetracampeonato de 1994, Raí descreve uma frustração ligada ao período em que jogou menos, mas ressalta que a vida dele no futebol foi marcada por conquistas e pela percepção de que a carreira poderia ter produtivamente rendido mais.

Expectativas para a Copa

No desfecho da entrevista, Raí sinaliza suas expectativas sobre o pódio da Copa, mantendo o equilíbrio entre análise crítica e esperança pela seleção brasileira. Ele cita a Argentina, a Holanda e a França como favoritas, com Inglaterra como fator surpresa, e reforça o desejo por um desempenho qualificado.

A entrevista, realizada no Trip FM, consolidou o perfil multifacetado de Raí: defensor de transformações sociais pelo esporte, crítico das lacunas institucionais do futebol brasileiro e ativo formador de uma visão de longo prazo para o esporte e a cultura no Brasil.

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