- O jogador ganês Thomas Partey teve visto negado pelo Canadá para a estreia da Copa, em Toronto, por omitir no formulário policial o processo por crimes sexuais no Reino Unido.
- Dias após, os Estados Unidos liberaram a entrada de Partey para a segunda fase, em Boston, permitindo que atuasse contra a Inglaterra.
- O advogado Cristiano Caús afirma que acordos entre FIFA e países são de natureza civil e não anulam leis de segurança nacionais, destacando a soberania de cada país.
- O caso evidencia divergência entre políticas migratórias dos coorganizadores, com EUA mantendo critérios rígidos para o Irã e o México oferecendo base de treinamentos em Tijuana aos iranianos.
- O episódio levanta dúvidas sobre neutralidade do esporte diante da diplomacia e aponta desafios futuros para a Copa de 2030, que reunirá continentes diferentes.
A Copa do Mundo, realizada por três países, revelou divergências logísticas e políticas migratórias entre as nações organizadoras. Thomas Partey, jogador de Gana, teve o visto negado no Canadá por um processo judicial em andamento no Reino Unido. Dias depois, recebeu liberação para atuar nos EUA e seguir no Mundial.
No Canadá, o veto ocorreu após a omissão no formulário de visto sobre o processo criminal em curso. O governo ganês contestou a decisão, mas as autoridades canadenses mantiveram a recusa, impedindo a estreia do jogador em Toronto. Partey atua pela seleção de Gana.
Nos EUA, a entrada foi autorizada para a segunda fase, em Boston, permitindo que ele disputasse a partida contra a Inglaterra. Partey minimizou o episódio, dizendo que o futebol envolve imprevistos e que está pronto para jogar.
Divergência entre coorganizadores
A situação elevou o debate sobre soberania nacional frente aos regulamentos da FIFA. Advogado destaca que acordos esportivos são de natureza civil e não alteram leis internas de segurança. Canadá e EUA adotaram critérios distintos de admissão para Partey sem violar obrigatoriedade entre si.
Para o especialista, a co-organização não obriga a uniformidade de protocolos migratórios. As decisões de imigração permanecem sob a lei de cada país, enquanto acordos com a FIFA são de caráter desportivo e não substituem soberania nacional.
Impacto político e esportivo
O caso evidencia como fatores políticos influenciam decisões de admissão de delegações. A posição americana costuma adotar critérios mais restritivos em questões geopolíticas, como no caso da seleção do Irã, com regras de entrada próximas aos jogos.
Segundo o advogado, a neutralidade anunciada por entidades esportivas é questionada pela prática de cada país-sede. Ele afirma que o esporte de alto rendimento depende de diplomacia e que leis nacionais têm peso maior que regulamentos esportivos.
Olhar para 2030
O episódio levanta questionamentos sobre a organização da Copa de 2030, que terá jogos na América do Sul, Europa e África. Especialistas apontam que, com a fragmentação histórica de fronteiras, podem surgir novos entraves regulatórios ao longo do torneio.
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