- Na Copa do Mundo de 2026, seleções destacam jogadores cujos pais nasceram em outros países; a França tem vinte de vinte e seis atletas com esse perfil, incluindo Kylian Mbappé.
- No início do século passado, a seleção brasileira também era formada por filhos de imigrantes, com sobrenomes italianos, alemães, ingleses e espanhóis.
- Entre os patronos dessa fase estavam Friedenreich (pai alemão), Neco (pai português) e Marcellino, Barbuy e Bianco (italianos).
- Esses jogadores emergiram em clubes ligados a imigrantes, como Palmeiras, Corinthians, Vasco, Cruzeiro e Bangu, ajudando a difundir o futebol pelo país.
- A origem do futebol no Brasil envolve figuras como Charles Miller e Oscar Cox; o Palmeiras nasceu como Palestra Itália em 1914 para agrupar imigrantes italianos, e a 2ª Guerra acelerou o abrasileiramento dos clubes e da seleção.
Na Copa do Mundo de 2026, diversas seleções contam com filhos de imigrantes entre seus atletas, evidenciando uma tendência histórica no futebol mundial. O Brasil também vivenciou esse fenômeno no século XX, quando a equipe nacional tinha forte presença de descendentes de imigrantes.
Entre os nomes que aparecem no passado, destacam-se jogadores com raízes italianas, alemãs, portuguesas e espanholas. Em clubes de São Paulo, como Palmeiras e Corinthians, essa influência era marcante, moldando o cenário esportivo da época.
Origem do futebol no Brasil
No início do século 20, o Brasil recebeu grandes fluxos migratórios, o que influenciou o perfil das equipes. Sobrenomes como Lorenzato, Mutzenbecher, Neville e Ojeda tornaram-se comuns na seleção, ligando o sucesso esportivo a famílias de imigrantes.
Em 1919, ao vencer o Campeonato Sul-Americano, ao menos cinco titulares eram filhos de imigrantes, entre eles Friedenreich, filho de alemão, Neco, com pai português, e Marcellino, Barbuy e Bianco, filhos de italianos. Esses jogadores surgiram em clubes de São Paulo.
A difusão do futebol via clubes paulistas ocorreu em parte por imigrantes que fundaram ou frequentaram equipes fundadoras do esporte no estado, como Germânia, Sírio, Palmeiras e outros. O cenário urbano paulista foi crucial para o desenvolvimento do esporte.
Fundação do Palmeiras
A formação do Palestra Itália, em 1914, consolidou a presença de imigrantes italianos na prática esportiva de alto nível. A proposta era reunir atletas italianos e descendentes, fortalecendo a identidade de uma comunidade na cidade de São Paulo.
Dentre os primeiros destaques da seleção, muitos passaram pelo Palestra Itália ou por clubes vizinhos da comunidade italiana. A trajetória de Friedenreich, Barbuy e Bianco, por exemplo, revela a ligação entre imigração, clubes operários e o início do futebol brasileiro.
Da operação aos clubes populares
A atuação de clubes operários, como Corinthians e Vasco, ampliou o espaço para imigrantes e brasileiros pobres no futebol. A cidade de São Paulo abrigava comunidades diversas e rivais tradicionais, fortalecendo a prática esportiva entre trabalhadores.
Ainda na linha histórica, começou a se consolidar uma identidade nacional no futebol, com a participação de atletas de diversas origens. A presença de descendentes de imigrantes na seleção refletiu mudanças sociais ocorridas ao longo do tempo.
Contexto de resistência e transformação
Durante a Segunda Guerra, clubes ligados a imigrantes sofreram pressões nacionais. Nomes como Germânia mudaram de identidade, consolidando o processo de abrazileiramento de clubes e símbolos. A repressão por vezes acelerou a difusão de uma cultura esportiva nacional.
Por fim, a popularização do futebol entre camadas urbanas distintas levou ao reconhecimento de uma mistura de heranças. A história mostra como imigrantes contribuíram para a formação de clubes, estilos de jogo e da própria seleção brasileira.
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