- O e-mail do CEO Bruno Pimenta insinuou que a Sports Media tinha canal com conselheiros do Cade, provocando revolta entre clubes da FFU e cobranças por respostas.
- O Cade determinou que a empresa não pode impedir a saída de clubes do bloco; Pimenta afirmou que a equipe jurídica está em contato com os conselheiros e que a decisão pode ser revisada em breve.
- Dirigentes cobraram assembleia e apontaram falhas, citando Cuiabá, Atlético-GO, Vila Nova, Ceará e outros, além de cobrar fim de teses já consideradas erradas.
- Um parecer encomendado por Cuiabá, Vila Nova e Atlético-GO, assinado por Ticiana Lima, sustenta que as regras do arranjo restringem a concorrência e que a Sports Media atua como controladora, com poder de veto, apesar de 20% dos direitos.
- Clubes já responderam pedindo reunião exclusiva, sem a participação da Sports Media, para definir a posição do grupo; a Sports Media disse manter diálogo e que a decisão do Cade é preliminar.
O CEO da Sports Media, Bruno Pimenta, publicou um email que sugere ter proximidade com conselheiros do Cade, levando à revolta de clubes integrantes da Futebol Forte União (FFU). A mensagem foi divulgada pelo Metrópoles e provocou cobranças públicas de dirigentes dos times, que passaram a questionar a atuação da empresa.
O Cade determinou que a Sports Media não pode obstruir a saída de clubes do bloco, decisão anunciada na sexta-feira (26/6). No mesmo comunicado, Pimenta afirmou que a equipe jurídica já estaria em contato com os conselheiros da autarquia, e que estes estariam surpreendidos pela decisão, o que suscitou descontentamento entre os clubes.
Ao longo do fim de semana, dezenas de dirigentes responderam ao e-mail em tom de cobrança, com acusações de que a Sports Media contribuiu para a criação de problemas que afetam as equipes. No sábado (27/6), o evento ganhou contorno de fórum, com presidentes e executivos de clubes das Séries A, B e C respondendo a todos.
Repercussões entre clubes
Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, escreveu que a Sports Media não pode mais manter o silêncio sobre a formação do Condomínio e as irregularidades associadas ao Cade. O dirigente destacou custos gerados pela não submissão inicial à autarquia e pediu transparência.
O Atlético-GO também cobrou esclarecimentos, afirmando que já foram registradas decisões que afetam o grupo e pedindo a convocação de uma assembleia para tratar do tema e buscar soluções conjuntas. O Vila Nova, o Ceará e outros clubes manifestaram apoio à análise independente da matéria.
Juventude alegou não pagar pela irregularidade atribuída ao arranjo, enquanto Botafogo pediu abertura de debate conjunto entre os clubes. Fortaleza enfatizou a necessidade de uma reunião para avaliação coletiva, evitando precipitadas interpretações sobre o tema.
Parecer jurídico e assembleia
Um parecer encomendado por Cuiabá, Vila Nova e Atlético-GO, elaborado pela advogada Ticiana Lima, sustenta que as regras do arranjo da FFU restringem a concorrência e que a Sports Media atua como controladora do bloco, com poder de veto, apesar de possuir 20% dos direitos. O documento aponta cláusulas de 50 anos como restrição excessiva.
Foi proposta uma assembleia exclusiva de clubes para definir a posição do grupo sobre a decisão do Cade, com a exclusão da Sports Media e de seus representantes. Pelo menos 15 clubes teriam aderido à iniciativa, incluindo Amazonas, Ceará, Botafogo, Goiás, Juventude e Vila Nova, entre outros.
O outro lado sustenta que a Sports Media mantém diálogo permanente com os clubes e que as operações observaram a legislação vigente, contratos e governança condominial aprovados por unanimidade. A empresa afirmou ainda que o Cade atua como medida preliminar, sem medidas preventivas, e que adotará providências para resguardar seus direitos.
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