- A nova gestão da CBF completa um ano priorizando saúde financeira, reforma das competições, melhoria da arbitragem e formação de base no futebol brasileiro.
- Dívida dos clubes passou de 7,8 bilhões de reais em 2022 para quase 14 bilhões; as receitas cresceram 35% e o endividamento quase 80%.
- Foi criado o Grupo de Trabalho de Fair Play Financeiro para estabelecer regras de controle, fiscalização e a criação da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf). O modelo prevê gasto com o elenco não acima de 70% da receita e metas de transparência.
- O SSF busca tornar o Brasil mais próximo de modelos internacionais de controle financeiro, com implementação gradual até 2027 e foco em infraestrutura, base e desenvolvimento de elencos.
- Na base, o Grupo de Trabalho da Base, com mais de 100 participantes, discute calendário, certificação de clubes formadores e desenvolvimento de atletas; no futebol feminino, são ações para ampliar participação e apoiar a Copa do Mundo de 2027 no Brasil.
A CBF completa um ano sob nova gestão com foco em saúde financeira do futebol brasileiro, reforma de competições, melhoria da arbitragem e fortalecimento da base. O principal objetivo é alinhar o protagonismo esportivo a uma sustentabilidade econômica que beneficie clubes, atletas e público.
O grupo de trabalho criado pela confederação reuniu clubes das Séries A e B, federações, consultores e especialistas para desenhar o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF). O mecanismo estabelece regras de controle, fiscalização de contas e uma agência reguladora independente, a Anresf, para acompanhar o cumprimento das normas.
Dados apresentados mostram aumento considerável dos gastos com formação de elencos, enquanto as receitas cresceram em ritmo menor. O SSF visa conter esse desequilíbrio, evitando o que é chamado de “doping financeiro” e promovendo equilíbrio competitivo a partir de limites de gastos proporcionais à receita.
Grupo de Trabalho e participação dos clubes
Do total de 40 clubes convidados, 34 contribuíram ativamente para a construção do modelo, levando sugestões e críticas. O objetivo é tornar o fair play financeiro um componente permanente e eficaz para o ecossistema nacional, alinhando o futebol às melhores práticas internacionais.
O regulamento, desenvolvido em conjunto pela CBF, clubes das Séries A e B e a Anresf, prevê monitoramento contínuo de balanços e endividamento. A meta é reduzir distorções competitivas e evoluir o padrão de governança financeira no esporte nacional.
Instituição e funcionamento
O SSF estabelece regras de controle financeiro, fiscalização das contas e obrigação de manter dívidas sob limites. A Anresf atuará como órgão independente de regulação e sanções, buscando transparência e responsabilização. Segundo a diretoria da CBF, o objetivo é criar um ambiente estável e previsível para clubes e patrocinadores.
Em junho, a CBF iniciou uma imersão internacional com representantes do futebol brasileiro e executivos de ligas estrangeiras para discutirem identidade de produto, experiência de dia de jogo, internacionalização da marca e novas fontes de receita. A iniciativa visa aproximar o Brasil de modelos de ligas globalmente reconhecidas.
Liga única e calendário de formação
A criação de uma liga nacional é tratada como prioridade da gestão atual, com o intuito de consolidar a organização do futebol brasileiro. Enquanto o tema é discutido, a CBF aposta no fortalecimento de infraestruturas, padronização de horários, proteção à integridade e eficiência da Justiça Desportiva.
No campo de formação, o Grupo de Trabalho da Base, coordenado pela CBF Academy, reúne mais de 100 participantes. O objetivo é reter talentos e aprimorar o calendário das categorias de base, certificação de clubes formadores e desenvolvimento de atletas. A atuação também contempla o ambiente regulatório para agentes e a preparação para a carreira pós-elite.
Futebol feminino e perspectivas
Entre os temas da Base, o desenvolvimento do futebol feminino ganha destaque, com ações para certificação de treinadoras pela FIFA e ampliação da participação feminina nas categorias de base. A Copa do Mundo Feminina de 2027, a ser realizada no Brasil, é tratada como oportunidade para ampliar a presença do futebol feminino no país, com transmissões oficiais pela CBF TV.
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