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Cabeceios no futebol aumentam risco de trauma craniano, segundo estudos

Estudos sugerem que cabeceios frequentes podem alterar a substância branca do cérebro e associar-se a queda de desempenho verbal, sem comprovação de dano clínico

Foto: Agência Einstein
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  • Na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, 25 dos 215 gols foram marcados de cabeça, conforme balanço da FIFA, enquanto pesquisas analisam efeitos de impactos repetidos sem concussão.
  • Estudos de imagem sugerem que cabeceios frequentes podem associar-se a alterações na substância branca e, menos consistentemente, na substância cinzenta do cérebro.
  • Uma revisão publicada na revista Neuroradiology encontrou mudanças moderadas a grandes em métricas da integridade da substância branca, com achados metabólicos e estruturais menos prováveis ou menos significativos.
  • Pesquisas apresentadas pela Universidade Columbia em 2024 mostraram alterações na substância branca em jogadores amadores que cabeceiam com mais frequência, ligando essas mudanças a pior desempenho em testes de aprendizagem verbal; a linha de pesquisa de 2025 na JAMA Network Open destacou a região orbitofrontal como chave na interface entre substâncias, sem comprovar causalidade.
  • Em um ensaio de 2025 publicado na Sports Medicine – Open, 20 cabeceios em 20 minutos geraram alterações sutis de ressonância magnética e aumento de proteínas cerebrais, sem quedas na função cognitiva; especialistas enfatizam reduzir a exposição a impactos repetidos, especialmente em crianças e adolescentes.

Na Copa do Mundo de 2026, 25 dos 215 gols foram marcados de cabeça, aponta balanço da FIFA. Enquanto o jogo segue, pesquisas em medicina esportiva investigam se cabeceios repetidos, mesmo sem concussão, podem provocar alterações no cérebro.

Estudos com imagens de ressonância observam principalmente a substância branca, conectando áreas cerebrais, e a substância cinzenta, ligada ao processamento. Alterações nessas regiões não significam, por si, doença ou sintomas, mas aumentam a curiosidade sobre danos subclínicos.

Em análises apresentadas em 2024, pesquisadores da Universidade Columbia estudaram 352 jogadores amadores e 77 atletas de esportes sem contato. Quem relatou cabeceios frequentes mostrou alterações na substância branca próximas aos sulcos e ao lobo frontal, com pior desempenho verbal em testes.

Em 2025, a mesma equipe publicou na JAMA Network Open uma versão mais detalhada da coorte, destacando a região orbitofrontal como área associada a alterações entre substância cinzenta e branca e queda em desempenho verbal. Não há comprovação de causalidade com cabeceios.

Em ensaio clínico de 2025, 20 cabeceios em 20 minutos foram seguidos de alterações sutis em ressonância e aumento de proteínas plasmáticas ligadas a células cerebrais. Não houve queda mensurável da função cognitiva e os participantes relataram poucos sintomas.

Para o neurocirurgião Andre Gentil, as evidências não são conclusivas, mas já apontam para medidas de redução de exposição, sobretudo em menores de idade. A prática esportiva continua associada a benefícios físicos e sociais, o que reforça o equilíbrio entre saúde e prevenção.

Risco varia por modalidade. Em esportes com maior probabilidade de concussões, como futebol americano e boxe, já há associações mais estabelecidas com consequências neurológicas de longo prazo. Estudos sobre impactos menores seguem em curso.

A principal dúvida envolve impactos subconcussivos sem sintomas imediatos. Gentil afirma que cabeceios repetidos podem trazer alterações estruturais detectáveis por ressonância, sem, no entanto, comprovar dano clínico definitivo.

O maior estudo longitudinal sobre traumas esportivos, o NCAA-DOD CARE Consortium, começou em 2014 e já envolve mais de 53 mil atletas. A conclusão definitiva requer décadas de acompanhamento para avaliar efeitos reais.

Enquanto as respostas não chegam, especialistas defendem reduzir a exposição a impactos repetidos na cabeça, principalmente em crianças e adolescentes. Regulamentações variam entre países, e a decisão cabe a responsáveis, técnicos e organizações.

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