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Trajetórias de atletas negros olímpicos revelam lutas contra o racismo no esporte

Universidade de São Paulo identifica formas de resistência ao racismo no esporte olímpico brasileiro por meio de biografias de quatro atletas negros

Novos Cientistas - USP
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  • Pesquisa da Escola de Educação Física e Esporte da USP identifica formas de luta e resistência ao racismo no esporte olímpico brasileiro, por meio de biografias de atletas negros.
  • O estudo de doutorado de Neilton de Sousa Ferreira Júnior, orientado pela professora Kátia Rubio, resulta na antologia das resistências negras ao racismo no esporte.
  • As trajetórias analisadas são de Alfredo Gomes (carregou a bandeira na abertura dos Jogos de Paris, 1924), Melânia Luz (primeira mulher negra na delegação olímpica brasileira, 200m, Londres 1948).
  • Completam o material Soraia André (juda, Barcelona 1992) e Diogo Silva (taekwondo; pan-americano em 2007 e mundial universitário em 2009).
  • A pesquisa foi apresentada em entrevista ao podcast Os Novos Cientistas em que o pesquisador descreve as implicações sociais das experiências negras no esporte olímpico brasileiro.

Na USP, a Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) abriga estudo que mapeia lutas contra o racismo no esporte olímpico brasileiro. A pesquisa identifica modos de resistência a partir de trajetórias de atletas negros. O foco é compreender a presença negra em um sistema esportivo marcado por históricas contradições.

O estudo de doutorado é apresentado pelo pesquisador Neilton de Sousa Ferreira Júnior, sob orientação de Kátia Rúbio, da Faculdade de Educação (FE). O objetivo é interpretar as formas de luta e resistência no cenário olímpico do Brasil. A obra tem o título Olimpismo negro: uma antologia das resistências ao racismo no esporte, por atletas olímpicos brasileiros.

Ferreira analisa a história de quatro atletas brasileiros: Alfredo Gomes, que conduziu a bandeira na abertura de Paris 1924; Melânia Luz, a primeira mulher negra a integrar uma delegação olímpica brasileira; Soraia André, judoca em Barcelona 1992; e Diogo Silva, lutador de taekwondo com conquistas pan-americanas e mundial universitário.

A partir das biografias, o pesquisador ressalta que o racismo persiste no esporte, mas as trajetórias negras revelam estratégias de resistência e de adaptação. Segundo ele, esse conjunto de relatos dialoga com experiências da diáspora negra, mesmo fora do campo esportivo.

Abordagens e desdobramentos

As biografias ajudam a entender como o acaso, o desempenho e a visibilidade pública influenciam a experiência de atletas negros. A pesquisa pretende oferecer uma leitura interpretativa das resistências presentes no Olimpismo brasileiro.

Os resultados buscam contribuir para debates sobre equidade e políticas esportivas no Brasil. A antologia pretende ampliar o diagnóstico sobre as relações raciais no esporte de alto rendimento. O estudo está vinculado à EEFE/USP e à produção acadêmica nacional.

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