- A Fórmula 1 evoluiu nas últimas décadas para priorizar a segurança dos pilotos, com inovações em carros e equipamentos.
- No último sábado, durante a sprint do GP de São Paulo, o brasileiro Gabriel Bortoletto sofreu uma colisão forte, mas saiu ileso.
- O Halo, introduzido em 2018, é uma estrutura de titânio que protege a cabeça dos pilotos e suporta impactos de até 12 toneladas.
- As barreiras de segurança, como a Tecpro, absorvem energia e reduzem a força das colisões, enquanto as barreiras Armco são rígidas e não amorteçam tanto os impactos.
- O macacão anti-chamas, feito de Nomex, oferece proteção contra fogo e é crucial após acidentes históricos que evidenciaram a necessidade de segurança.
A Fórmula 1 se transformou nas últimas décadas, priorizando a proteção dos pilotos com avanços que vão do carro aos equipamentos individuais. No último sábado, durante a sprint do GP de São Paulo, o brasileiro Gabriel Bortoletto sofreu uma forte colisão que chamou atenção pela violência do impacto, mas, apesar do susto, ele saiu do acidente sem ferimentos.
Veja, abaixo, 5 tecnologias que são essenciais para a proteção dos pilotos na F1:
Halo
O Halo – introduzido na Fórmula 1 em 2018 – é uma estrutura de titânio instalada no cockpit para proteger a cabeça dos pilotos e suportar grandes impactos, resistindo a até 12 toneladas. A implementação veio após o acidente fatal de Jules Bianchi, em 2014, e, desde então, a peça se tornou essencial para a segurança na categoria.
Um dos momentos que comprovaram sua eficácia foi a colisão entre Max Verstappen e Lewis Hamilton no GP da Itália de 2021, quando o pneu do carro passou muito perto da cabeça do britânico, que sofreu apenas dores no pescoço graças à proteção do Halo.
Desde 2022, a estrutura foi reforçada para suportar cargas ainda maiores, após análises de acidentes graves, como o de Romain Grosjean. Apesar da resistência inicial, o Halo acabou sendo amplamente aceito e hoje é um dos principais dispositivos de segurança da Fórmula 1.
Barreiras de segurança
A barreira Tecpro, utilizada na F1, é uma barreira moderna e “macia”, feita de módulos que combinam polímeros plásticos e espumas especiais, materiais que deformam para absorver energia. Ela amortece melhor o impacto, ajudando a reduzir a força da colisão e deixando a batida menos agressiva para o piloto. É por isso que costuma ser colocada nas áreas mais perigosas do circuito.
Já a barreira Armco é aquela de metal, com placas de aço ondulado, muito vista em pistas e também em estradas. Ela serve para impedir que o carro saia da pista, mas é bem rígida, então não amortece tanto a batida. Por isso, quando um carro acerta a Armco, o impacto é mais seco e existe a chance de ele voltar para a pista.
Dispositivo Hans
O HANS (Head and Neck Support) se tornou obrigatório na Fórmula 1 em 2003 e é feito de fibra de carbono, apoiado nos ombros e conectado ao capacete por duas tiras. Sua função é controlar o movimento da cabeça em colisões, evitando estiramentos no pescoço e impactos contra o volante ou o cockpit.
O dispositivo, criado nos anos 1980, demonstrou grande eficácia: reduz em 44% o movimento da cabeça, 86% a força no pescoço e 68% a aceleração no crânio. Ele distribui o impacto pelos ombros e mantém a cabeça e o corpo alinhados, oferecendo máxima proteção sem limitar os movimentos do piloto.
Monocoque
O monocoque é a célula de sobrevivência do carro, a parte onde o piloto fica. Ele é construído com fibra de carbono composta, material extremamente leve e resistente. A estrutura é projetada para absorver e dispersar a energia dos impactos, em vez de transferi-la ao piloto, mantendo, ao mesmo tempo, um “casulo” rígido que não pode se deformar na área onde o corpo está.
Ele precisa cumprir testes rigorosos definidos pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo), que incluem impactos frontais, laterais, traseiros, no assoalho e no arco de proteção, além de testes de esmagamento (crash tests). Ele também é integrado ao Halo, ao suporte do banco moldado ao corpo do piloto e aos pontos onde são fixados o cinto de seis pontos e a suspensão dianteira. O tanque de combustível também fica dentro dessa estrutura, protegido contra perfurações.
Macacão anti-chamas
No início da Fórmula 1, a segurança do piloto praticamente não era prioridade. Nos anos 1950, lendas como Juan Manuel Fangio corriam de camisa polo e calça, priorizando estilo e conforto, o que deixava o corpo totalmente exposto em caso de incêndio.
Com o aumento preocupante de pilotos sofrendo queimaduras graves nos anos 1960, a FIA finalmente reagiu: em 1963, tornou obrigatório o uso de trajes resistentes ao fogo. O material Nomex, criado pela NASA para astronautas, chegou ao automobilismo depois que Pete Conrad apresentou o tecido a Bill Simpson, da NASCAR.
Ainda assim, a proteção não era suficiente. Em 1976, Niki Lauda sofreu um dos acidentes mais marcantes da história em Nürburgring. Ele sobreviveu, mas ficou com cicatrizes severas, mostrando que os macacões da época, muitos à base de algodão, ainda não protegiam o bastante contra o fogo.
Isso causou uma mudança radical: na busca por segurança, os pilotos passaram a usar macacões de até cinco camadas, pesados e desconfortáveis, mas mais resistentes.
Os macacões dos pilotos são feitos de Nomex, polímero da família das aramidas (nylon) que é extremamente resistente a cortes e rasgos se comparado a tecidos comuns. Além disso, possui grande resistência ao fogo, devido à sua estrutura química mais complexa. Ele suporta, pelo menos, 12 segundos de exposição às chamas.
Um dos episódios mais marcantes sobre a importância da roupa foi no acidente de Romain Grosjean. No GP do Bahrein de 2020, o francês bateu com violência no guard-rail ainda na largada, com sua Haas partindo ao meio e pegando fogo. Apesar das imagens assustadoras, o piloto saiu apenas com queimaduras nas mãos e no tornozelo, comprovando a resistência da peça.
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