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Espaço de manobra reduzido torna competição nos Jogos de Inverno mais difícil

A neve artificial aumenta o risco de quedas, encarece o treino e domina as condições das Olimpíadas de Inverno diante das mudanças climáticas

Getty Images An Alpine skier does a jump at the 2026 Milan-Cortina Winter Olympics (Credit: Getty Images)
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  • Nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina, Dolomitas, serão bombeados 50 mil metros cúbicos de neve artificial nas próximas duas semanas para manter pistas de esqui e snowboard em condições ideais.
  • A neve artificial deve representar cerca de oitenta e cinco por cento do total, apesar de Cortina ter neve natural suficiente.
  • Treinadores, atletas e pesquisadoras afirmam que a neve artificial é mais dura e traiçoeira, elevando o risco de lesões e tornando treinamentos mais difíceis e caros.
  • Cerca de 27 mil metros cúbicos de água serão usados para produzir neve, com fornecimento de energia 100% renovável; não serão adicionados químicos à neve.
  • Estudos sugerem que, até 2050, o número de locais climaticamente adequados para sediar os Jogos deve diminuir, com propostas como adiantar datas, realizar Jogos e paralímpicos em fevereiro e modelos rotativos de sede.

Aquecimento global e o uso de neve artificial têm tornado as provas de esportes de inverno mais difíceis e arriscadas. Na Itália, máquinas de neve fornecerão parte relevante do cenário para as competições de esqui e snowboard nos Jogos de Milão-Cortina 2026, nos Dolomites.

O planejamento indica que 50 mil metros cúbicos de neve artificial serão gerados nas próximas duas semanas para assegurar condições de pista de alta qualidade. Mesmo com quedas constantes de neve natural, o evento aposta na neve produzida para padronizar as superfícies.

Cortina d’Ampezzo, a 1.816 metros de altitude, recebe as máquinas para cobrir até 85% do total de neve necessária, garantindo superfície estável e justa em todas as provas, segundo organizadores citados pela imprensa.

Coaches, atletas e pesquisadores alertam que a neve artificial aumenta a imprevisibilidade e o risco de lesões, além de elevar custos e dificuldades de treinamento. A estrutura de competição depende cada vez mais dessa tecnologia.

É importante destacar que a prática começou há quase 50 anos, quando a neve sintética chegou às Olimpíadas pela primeira vez. Nos últimos anos, a aposta por neve artificial se intensificou com a redução das chuvas na montanha e encurtamento das temporadas.

Para o movimento Paralímpico, atletas destacam a importância da confiabilidade da neve artificial. A esquiadora Menna Fitzpatrick diz que a consistência ajuda a manter calendário e competições estáveis, mesmo com recuperação de lesões.

Por outro lado, especialistas apontam que o treinamento fica mais desafiador com pistas mais duras e com menos jato de ar na estrutura da neve, o que pode aumentar a gravidade de quedas. Pesquisas de institutos britânicos e canadenses embasam esse alerta.

Além do aspecto esportivo, a produção de neve envolve uso de água e energia. Em Milão-Cortina, a água terá volume significativo para a criação das pistas, e a energia empregada é de fontes renováveis, com compromisso de não adicionar químicos à neve.

A mudança climática também impacta a geografia de eventos. Estudo recente aponta que apenas parte das áreas históricas conseguiria manter condições climáticas adequadas até 2050 para sediar os Jogos, aumentando a necessidade de soluções como neve artificial para preservar o calendário.

Especialistas ressaltam alternativas como ajustes no calendário e em modelos de venue, além de priorizar ambientes com maior estabilidade climática. A ideia é tornar as competições mais previsíveis sem abrir mão da qualidade técnica.

Mesmo com as preocupações, a organização dos Jogos sustenta que a segurança dos atletas continua a principal prioridade na preparação das pistas, reforçando que a neve produzida é essencial para manter o nível competitivo.

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