- O Brasil estreou nos Jogos Olímpicos em 1920 e formou a primeira equipe de inverno apenas em 1992, sem apoio do COB e com despesas próprias.
- A principal fonte de financiamento para modalidades de neve e gelo passou a ser a Lei Agnelo/Piva (Lei das Loterias), que prioriza esportes com histórico de medalha, deixando as modalidades de inverno em desvantagem.
- Em 2023, o COB repassou R$ 7,9 milhões à CBDG e R$ 6,6 milhões à CBDN; valores de esportes como boxe, canoagem e surfe ficaram acima, revelando priorização por medalhas e alcance social.
- Os custos logísticos são estruturais: sem estações de inverno no país, atletas treinam no Hemisfério Norte por longos períodos, com alto custo de equipes, equipamentos e simulações.
- A criação da Universidade Federal do Esporte (PL 6133/25) pode oferecer formação técnica, pesquisa e inovação para modalidades de gelo e neve, incorporando o debate a uma estratégia de longo prazo para o esporte brasileiro.
Milão–Cortina 2026: o Brasil busca sustentar presença em neve e gelo diante de medalha inédita. O país, de clima tropical, apostou em estrutura limitada para competir em modalidades de inverno, com planejamento ainda em evolução para além de ciclos olímpicos.
Ao longo dos anos, houve avanços de financiamento. A Lei Agnelo/Piva canaliza parte da arrecadação das loterias ao esporte olímpico e paralímpico, distribuído pelo COB conforme desempenho e planejamento. Modalidades de neve recebem menos, pela história de resultados.
Entre 14 atletas brasileiros em edição recente, metade contou com o Bolsa Atleta, instrumento de apoio financeiro para treinos e competições. O orçamento, porém, é restrito e dividido entre dezenas de modalidades, destacando o favorecimento de esportes com maior medalha histórica.
O custo logístico é alto: sem pistas de gelo no Brasil, atletas treinam no Hemisfério Norte por longos períodos, com equipes técnicas, equipamentos caros e simuladores. Patrocínio privado permanece desafiador, sobretudo para esportes com menor visibilidade internacional.
Finanças e prioridades
Dados de 2023 mostram recursos repassados pelo COB: CBDG recebeu R$ 7,9 milhões, CBDN recebeu R$ 6,6 milhões. Outras modalidades com maior retorno esportivo, como boxe, canoagem e surfe, tiveram patrocínios superiores, revelando uma lógica de priorização.
Estratégia e orçamento
O Brasil ainda não possui uma estratégia específica para esportes de inverno, segundo documentos oficiais. O orçamento de 2026 não prevê programas dedicados exclusivamente a gelo e neve, diferentemente de modalidades com tradição nacional.
Universidade como desfecho possível
A criação da Universidade Federal do Esporte, se aprovada, pode qualificar tecnicamente o setor com formação, pesquisa aplicada e inovação. Essas ações são vistas como essenciais para esportes que dependem de tecnologia e biomecânica, como as de inverno.
O desempenho da delegação brasileira nos Jogos de Inverno demonstra talento e organização. A questão é integrar essas modalidades a uma política esportiva de longo prazo, com planejamento que vá além do ciclo olímpico e conte com participação pública e privada.
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