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Milão–Cortina 2026: Brasil encara desafio no gelo e na neve

Medalha inédita amplia debate sobre financiamento, logística e estratégia de esportes de neve no Brasil

Lucas Pinheiro Braathen comemora ouro no slalom gigante masculino nos Jogos Olímpicos de Inverno 2026. (Foto: Dimitar Dilkoff/AFP)
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  • O Brasil estreou nos Jogos Olímpicos em 1920 e formou a primeira equipe de inverno apenas em 1992, sem apoio do COB e com despesas próprias.
  • A principal fonte de financiamento para modalidades de neve e gelo passou a ser a Lei Agnelo/Piva (Lei das Loterias), que prioriza esportes com histórico de medalha, deixando as modalidades de inverno em desvantagem.
  • Em 2023, o COB repassou R$ 7,9 milhões à CBDG e R$ 6,6 milhões à CBDN; valores de esportes como boxe, canoagem e surfe ficaram acima, revelando priorização por medalhas e alcance social.
  • Os custos logísticos são estruturais: sem estações de inverno no país, atletas treinam no Hemisfério Norte por longos períodos, com alto custo de equipes, equipamentos e simulações.
  • A criação da Universidade Federal do Esporte (PL 6133/25) pode oferecer formação técnica, pesquisa e inovação para modalidades de gelo e neve, incorporando o debate a uma estratégia de longo prazo para o esporte brasileiro.

Milão–Cortina 2026: o Brasil busca sustentar presença em neve e gelo diante de medalha inédita. O país, de clima tropical, apostou em estrutura limitada para competir em modalidades de inverno, com planejamento ainda em evolução para além de ciclos olímpicos.

Ao longo dos anos, houve avanços de financiamento. A Lei Agnelo/Piva canaliza parte da arrecadação das loterias ao esporte olímpico e paralímpico, distribuído pelo COB conforme desempenho e planejamento. Modalidades de neve recebem menos, pela história de resultados.

Entre 14 atletas brasileiros em edição recente, metade contou com o Bolsa Atleta, instrumento de apoio financeiro para treinos e competições. O orçamento, porém, é restrito e dividido entre dezenas de modalidades, destacando o favorecimento de esportes com maior medalha histórica.

O custo logístico é alto: sem pistas de gelo no Brasil, atletas treinam no Hemisfério Norte por longos períodos, com equipes técnicas, equipamentos caros e simuladores. Patrocínio privado permanece desafiador, sobretudo para esportes com menor visibilidade internacional.

Finanças e prioridades

Dados de 2023 mostram recursos repassados pelo COB: CBDG recebeu R$ 7,9 milhões, CBDN recebeu R$ 6,6 milhões. Outras modalidades com maior retorno esportivo, como boxe, canoagem e surfe, tiveram patrocínios superiores, revelando uma lógica de priorização.

Estratégia e orçamento

O Brasil ainda não possui uma estratégia específica para esportes de inverno, segundo documentos oficiais. O orçamento de 2026 não prevê programas dedicados exclusivamente a gelo e neve, diferentemente de modalidades com tradição nacional.

Universidade como desfecho possível

A criação da Universidade Federal do Esporte, se aprovada, pode qualificar tecnicamente o setor com formação, pesquisa aplicada e inovação. Essas ações são vistas como essenciais para esportes que dependem de tecnologia e biomecânica, como as de inverno.

O desempenho da delegação brasileira nos Jogos de Inverno demonstra talento e organização. A questão é integrar essas modalidades a uma política esportiva de longo prazo, com planejamento que vá além do ciclo olímpico e conte com participação pública e privada.

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