- O Comitê Olímpico Internacional anunciou que, a partir dos Jogos de 2028, em Los Angeles, apenas mulheres biológicas poderão competir na categoria feminina em campeonatos oficiais.
- A nova política, com critérios de elegibilidade, foi publicada em um documento de dez páginas e estabelece que a decisão de participação feminina ocorre, em primeira instância, pela triagem do gene SRY.
- A ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) criticou a medida, alegando que reforça exclusões sob pretexto científico e citou pressões associadas a políticas restritivas a pessoas trans.
- O COI afirmou que a regra não é retroativa e não se aplica a programas esportivos de base ou recreativos.
- A decisão é apresentada como parte de um movimento mais amplo de alinhamento com políticas já adotadas por outros organismos internacionais desde Paris de 2024, com referências à posição de autoridades dos EUA.
Em 26 de março de 2026, o COI anunciou uma mudança de elegibilidade para os Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles. A nova política restringe a participação na categoria feminina a mulheres biológicas em campeonatos oficiais. A regra vale para todas as disciplinas do Programa Esportivo de eventos do COI.
A decisão, aprovada pelo conselho executivo, foi apresentada como uma forma de proteger a justiça, a segurança e a integridade da categoria feminina. O COI destacou que a medida não é retroativa e não afeta programas esportivos de base ou recreativos.
A ANTRA — Associação Nacional de Travestis e Transexuais — criticou a decisão. A entidade afirma que a mudança retoma estratégias de exclusão sob o pretexto de neutralidade científica, destacando que o debate sobre participação de pessoas trans no esporte não é novo.
Contexto e fundamentação
O documento divulgado pelo COI tem 10 páginas e estabelece que, para todas as modalidades do programa olímpico, a elegibilidade feminina é definida como restrita a mulheres biológicas. O texto ressalta que a primeira avaliação ocorre pela triagem de marcadores genéticos, citando o gene SRY como referência inicial.
Segundo o COI, a política visa preservar a equidade entre as competidoras e manter a integridade das provas de elite. A instituição afirmou que a nova regra se aplica apenas a eventos de alto nível e não altera bases ou categorias de iniciação esportiva.
Essa mudança coincide com posicionamentos de autoridades norte-americanas. Assuntos ligados à participação de pessoas trans em esportes femininos têm ganhado atenção de governos e organizações internacionais nos últimos anos, com efeitos em políticas públicas e em federações.
Reação de entidades e impactos
A ANTRA argumenta que a discussão sobre participação trans no esporte muitas vezes recai sobre planos de exclusão disfarçados de ciência. A associação sustenta que a biologia é apenas parte de um quadro complexo que envolve desempenho, treinamento e fatores não estritamente biológicos.
A entidade também aponta que restrições históricas a mulheres cis e a grupos raciais já foram justificadas por argumentos semelhantes, lembrando que o debate atual exige avaliação cuidadosa de evidências científicas e respeito aos direitos humanos. Estudos sobre desempenho esportivo permanecem inconclusivos quanto a vantagens inequívocas.
O COI informou que a nova política não retrocede nem se aplica a esportes de base. A instituição reiterou o compromisso com a justiça e a segurança da competição, mantendo a disputa em alto nível e sem retrocessos para categorias inferiores.
Entre na conversa da comunidade