- Mulheres costumam se sentir deslocadas na musculação por ambiente predominantemente masculino; várias acabam migrando para cardio, mesmo interessadas em fortalecer o corpo.
- Especialistas destacam que, além dos benefícios da musculação para saúde cardiovascular e mobilidade, a prática de resistência ajuda a prevenir osteoporose e perda muscular relacionada à idade.
- Pesquisas sugerem que tornar as academias mais acolhedoras e com maior representatividade pode aumentar a adesão das mulheres aos treinamentos de força.
- Iniciativas como o Girl Gains, clube de levantamento de peso feminino, mostram que apoio entre mulheres e orientação adequada ajudam a aumentar a confiança e a progressão na prática.
- Algumas academias passam a oferecer espaços exclusivos ou serviços como creche para facilitar a participação das mulheres, reduzindo barreiras culturais e de tempo.
Durante o primeiro ano de faculdade, Elisabeth Bradley passou a acompanhar o levantamento de peso após ver o relato de transformação de uma mulher nas redes sociais. Ela decidiu experimentar, mas se viu sozinha na sala de musculação da Universidade Estadual de San Diego, cercada por homens. A experiência a deixou insegura.
Intimidada pela atmosfera de uma academia predominantemente masculina, Elisabeth acabou buscando a área de cardio, assim como muitas outras mulheres. A mudança de comportamento, no entanto, foi motivada por pesquisas sobre os benefícios do treinamento de resistência.
Especialistas dizem que mudanças no ambiente das academias são necessárias para tornar o acesso à musculação mais atraente para mulheres. A cientista Michelle Segar, da Universidade de Michigan, aponta que tornar o espaço mais acolhedor e representar mais mulheres pode aumentar a adesão ao treino.
Por que as mulheres devem praticar musculação
O treinamento de resistência é recomendado pela maioria das diretrizes de saúde como atividade a ser realizada pelo menos duas vezes por semana. As modalidades incluem pesos, faixas de resistência e exercícios com o peso corporal, como flexões e agachamentos.
Pesquisas indicam que a musculação tem impactos positivos na saúde cardiovascular, na mobilidade a longo prazo e na pressão arterial. Segundo o professor Brad Schoenfeld, o benefício pode ser maior para mulheres, pela redução do risco de osteoporose e de perda muscular com a idade.
Barreiras e percepções
Muitos fatores impedem a prática entre mulheres, incluindo insegurança com a aparência e desconhecimento sobre etiqueta em academias. O público feminino ainda enfrenta estigmas sobre o potencial de ficar musculoso, o que desincentiva a adesão.
Pesquisas citadas por especialistas sugerem que a maioria não precisa se preocupar com hipertrofia excessiva, pois é difícil ganhar massa muscular significativa, especialmente para mulheres. O foco tende a ser o fortalecimento e a saúde, não a estética.
O que pode mudar nas academias
Elisabeth Bradley, após ter recebido orientação de um levantador de peso, fundou o Girl Gains, clube voltado ao levantamento de peso feminino, com filiais em várias instituições. A ideia é oferecer apoio e modelos de referência para novas alunas.
Profissionais defendem treinamentos introdutórios e orientação adequada, evitando abordagens que reforcem estereótipos. A presença de treinadores que promovam metas realistas pode evitar frustrações e aumentar a permanência.
Algumas academias já adotam medidas como espaços exclusivos para mulheres em alguns locais, além de serviços de creche. Tais iniciativas visam reduzir o desconforto e facilitar a rotina de treino para mães e cuidadoras.
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