- Hortência Marcari voltou aos treinos cinco meses após o nascimento do filho João Victor Oliva (2 de fevereiro de 1996) e ajudou o Brasil a conquistar a primeira medalha no basquete feminino nas Olimpíadas (prata, em Atlanta 1996).
- Uma conversa com o padrinho de casamento, Pelé, foi determinante para a decisão de voltar às quadras, mesmo com a maternidade recente.
- Na competição, ela levou o filho aos Estados Unidos, enquanto o ex-marido ficou no hotel com o bebê.
- Hoje, ela admite que, se fosse hoje, seria cancelada por ter tirado o bebê do peito com apenas um mês para treinar; acredita ter ficado em torno de oitenta por cento da forma, mas ajudou a equipe a chegar à medalha.
- Hortência mantém uma história de amizade com Pelé e Senna, incluindo a troca de um relógio com o piloto; o retorno olímpico em Atlanta encerrou um ciclo difícil da carreira.
Hortência Marcari decidiu voltar às quadras cinco meses após nascer o filho João Victor Oliva, em 2 de fevereiro de 1996, para disputar a final olímpica de Atlanta. A decisão foi tomada após uma conversa com seu padrinho de casamento, Pelé, que a incentivou a seguir treinando. Na época, a seleção brasileira estava pronta e a jogadora temia não conquistar medalha se ficasse em casa.
O retorno ocorreu com Hortência já mãe e com o time feminino de basquete buscando um resultado histórico para o Brasil. A atleta foi para os EUA acompanhada do filho, enquanto o ex-marido, José Victor Oliva, ficou com o bebê no hotel. A participação resultou na medalha de prata, a primeira do Brasil na modalidade em Jogos Olímpicos.
O peso da decisão e os impactos
À época, o retorno gerou críticas, principalmente pela logística de treinar com um bebê de apenas um mês. Hortência afirmou que precisou abrir mão da amamentação para manter a condição física exigida pela competição. Ela reconheceu que hoje o escrutínio popular seria ainda mais intenso, mas disse ter focado no objetivo da equipe.
A prata em Atlanta passou a marcar o auge de uma carreira que já contava com conquistas anteriores, como o ouro no Pan-Americano de Havana em 1991 e o título mundial na Austrália, em 1994. Para a atleta, o torneio olímpico foi o mais duro física e mentalmente, por exigir recuperação rápida e alto rendimento.
Relações, lembranças e o legado
Além da ligação com Pelé, Hortência tinha uma aproximação de longo tempo com o círculo de empresários e atletas do Clube Gallery, que reunia personalidades do esporte. Em uma passagem marcante, o piloto Ayrton Senna entregou a ela um relógio de edição limitada, que acabou guardado por mais de três décadas e jamais foi usado pela atleta.
Após os Jogos de Atlanta, Hortência encerrou a carreira com a gestação do segundo filho, Antônio, e afastou-se definitivamente das quadras. O episódio de Atlanta continua marcado pela superação e pela quebra de barreiras para o basquete feminino brasileiro.
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