- Victoria Pendleton, nascida em 1980 em Bedfordshire, é uma das atletas britânicas mais condecoradas, com ouro olímpico no sprint em 2008 e no keirin, além de prata no sprint em 2012, e nove ouros mundiais.
- A primeira bike veio durante férias na França; os pais a criaram de forma igualitária, o que lhe deu sensação de capacidade, mas a vida escolar mostrou limitações para meninas em esportes.
- Aos dezesseis anos foi descoberta pela Federação de Ciclismo Britânica e entrou para o time; sentiu-se fraudulenta no começo, só perdeu essa sensação ao vencer o título mundial em 2005.
- Ao longo da carreira recebeu críticas por ser pequena e feminina, mas contou com apoio de mentores e colegas; viveu a fase de Beijing como uma experiência memorável.
- Depois da Olimpíada de 2012, enfrentou dificuldades na aposentadoria, passou por um divórcio e situações desafiadoras, tentou escalar o Everest e acabou buscando esportes radicais como corridas de cavalos e motociclismo; o livro The Fear Opportunity chega às livrarias em 21 de maio.
Victoria Pendleton, ciclista britânica, relembra os passos que a levaram a se tornar campeã olímpica e as mudanças que vivenciou após a aposentadoria. Em entrevista sobre seu novo livro, The Fear Opportunity, publicado em 21 de maio, ela revela detalhes da juventude, dos desafios pessoais e da transição para outras paixões.
Aos 43 anos, Pendleton nasceu em Bedfordshire, em 1980. Iniciou nos pedais ainda criança, com uma bicicleta herdada do pai e incentivo da família. O primeiro contato com corridas rurais ocorreu aos nove anos, em provas de grass track, após ganhar sua independência dos irmãos no esporte.
Na escola, a diferença entre o que a fazia vencer e o que era esperado socialmente pesava. O retrato de uma adolescente dedicada ao esporte contrastava com a dificuldade de aceitação entre colegas. Pendleton descreve a sensação de isolamento e a pressão de agradar aos outros como parte de sua formação emocional.
Infância e formação
O esporte ganhou peso como refúgio para a família. O pai via no ciclismo uma via de pertencimento e apoio, um espaço de comunidade. A convivência com o irmão gêmeo, Alex, e o treino em tandem moldaram o caráter precocemente competitivo da atleta.
Desafios durante a adolescência
Ainda na adolescência, surgiram dúvidas sobre a carreira esportiva. A jovem Pendleton confrontou críticas sobre tamanho, feminilidade e seriedade. Comentários de treinadores e de colegas reforçaram um ambiente de pressão que influenciou sua autoconfiança.
Aos 16 anos, uma ligação mudou o rumo: a Federação de Ciclismo da Grã-Bretanha convidou-a para testar para a equipe. A mudança parecia improvável, porém ocorreu, levando-a a buscar a primeira chance em competições internacionais.
Caminho para o topo
Ao longo da carreira, Pendleton recebeu elogios por conquistas e críticas por percepções sobre seu porte físico. Em 2005, ao vencer o título mundial, ela superou inseguranças internas que vinham desde o início. Rodeada por colegas que a incentivaram, encontrou inspiração em nomes como Jason Quealy, Chris Hoy e Craig McLean.
Aos Jogos Olímpicos de 2012, ainda como campeã mundial em título, enfrentou a pressão de estar sob os holofotes. A vitória, porém, não resolveu de imediato o peso da carreira, que se intensificou no pós-olimpíada.
Transição e novos horizontes
A aposentadoria, em 2012, trouxe dificuldade para redefinir a identidade além do ciclismo. Pendleton manteve-se ocupada com patrocínios e atividades corporativas, mas reconhece a transformação pessoal necessária para superar o vazio pós-competitivo. A tentativa de escalar o Everest, interrompida por questões de saúde, marcou o início de uma nova fase.
A vida após o ciclismo incluiu o mergulho em esportes extremos, como corrida de cavalos e motociciclismo, com o apoio da irmã e do irmão. A experiência com a relação entre miedo e confiança moldou uma nova visão sobre o risco e a autoexpressão.
Atualidade
Desde a perda de Alex, em 2023, Pendleton buscou atividades que conectassem sua coragem com propósito positivo. O envolvimento com hipismo ganhou espaço, abrindo caminho para uma relação mais equilibrada com o corpo, o risco e a alegria de estar em movimento.
A atleta observa que a jovem que foi não imaginava o que seria capaz de realizar. Hoje, ela afirma ter alcançado muito mais do que sonhava, mantendo o foco em desafios e aprendizado contínuo.
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